"As guerras continuam assombrando a humanidade e o espiritismo tem muito a falar sobre o assunto. Aqui, discutimos algumas questões relativas ao tema."


É verdade que os conflitos têm sido uma constante na história da humanidade, e no século 20 eles atingiram uma proporção assustadora, especialmente após o desenvolvimento das armas atômicas e nucleares. Nos anos de 1960, a chamada Guerra Fria (que não foi tão fria assim) atingiu seu auge, com a possibilidade real de destruição de toda a vida no planeta. Segundo alguns especialistas no assunto, chegamos bem perto disso.

Quando se imaginava que o mundo entraria numa nova fase - a partir do fim da União Soviética -, guerras violentíssimas eclodiram em vários pontos do planeta, às vezes com características diferentes, mas sempre causando os mesmos prejuízos para a evolução da humanidade.


A Doutrina Espírita afirma que Deus permite as guerras para propiciar ao homem a oportunidade de uma evolução mais rápida - no sentido de atingir a liberdade e o progresso


O fato de que a guerra continua presente no mundo torna a discussão do tema sob o ponto de vista do Espiritismo uma necessidade, até mesmo para que as pessoas tenham elementos para tentar entender a atual postura belicista dos EUA e das nações e povos do Oriente Médio, independente das motivações mais obvias ligadas à religião e à propriedade da terra.

Sérgio dos Santos Rogrigues - no artigo Guerras: Como o Espiritismo Explica?, publicado no site do CVDEE (Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo) - diz que o Espiritismo, como doutrina filosófica, de bases científicas e consequências morais, se relaciona com tudo que diz respeito ao nosso processo existencial, pois objetiva contribuir para o progresso da humanidade, tornando-a melhor. Ele explica ainda que Allan Kardec tratou do tema na terceira parte de O Livro dos Espíritos, mais especificamente no capítulo referente à Lei de Destruição, em que é dito que a guerra foi classificada pelos Espíritos como um de seus agentes. Os orientadores espirituais afirmaram que é consequência da predominância da natureza animal do homem sobre a espiritual, e do transbordamento de suas paixões. Eles também esclarecem que Deus permite que assim aconteça para propiciar ao homem a oportunidade de uma evolução mais rápida, no sentido a liberdade e o progresso.

Os benfeitores espirituais ensinam que, no estado de barbárie, os povos somente conhecem o direito dos mais fortes, daí vivenciarem um estado de guerra permanente, que se vai modificando à medida que o homem progride.


Assim que uma guerra termina, logo surgem os efeitos da lei de ação e reação que rege o universo


O escritor e médium Eurípedes Kühl também cita as questões de O Livro dos Espíritos (questões 542 a 548, 671, 738, 742 a 744, 747 a 749, 1009), nas quais o tema da guerra é tratado amplamente. "Isso não é difícil de compreender", explica Kühl, "eis que Kardec, francês, conhecendo bem a história do mundo e particulamente do seu país, bem sabia o quanto a França já havia, até aqueles dias, participado de guerras, bem como que provavelmente participaria de outras no futuro, o que realmente aconteceu". Eurípedes explica que "[...] somos Espíritos em árduo processo de crescimento moral, trazendo no íntimo muito do caráter dominador, o qual se impõe sempre pela força, decorrente do instinto animal que ainda sobrevive em nosso subconsciente".

Para o Delegado de Polícia e escritor João Demétrio Loricchio, a guerra insiste em permanecer em nosso planeta, mesmo já caminhando para um mundo de regeneração. Existem vários termos como guerra fria, guerra de nervos, guerra psicológica, mas todos se referem a uma política intimidativa para provocar tensão e desequilíbrio emocional na parte contrária, com exigências territoriais e econômicas.

No texto ...Ouvireis Falar de Guerras (citação de Mateus 24:6), Loricchio explica que todos os espíritos são criados simples e ignorantes de tudo e que, para suas evoluções, Deus outorgou as várias vivências em corpos materiais; com o esforço e dedicação, cada um conquistará a sapiência e a luz para o Espírito.

Ocorre que, nessas condições rudimentares, em sua caminhada terrestre, os Espíritos tiveram grandes dificuldades de sobrevivência, o que ocasionou o desenvolvimento da força física, da agressividade e da violência, que foi utilizada para autodefesa. As condutas repetitivas em inúmeras reencarnações também resultaram no desenvolvimento dos instintos de propriedade e de conservação; a força física começou a ser usada contra seu irmão mais fraco.

A ambição e a cobiça levaram a novas conquistas, além da necessidade de sobrevivência. "Isso demonstra que o ser humano ainda não aprendeu a possuir, isto é, ter a posse temporária desses bens para sua vivência, pois, com a morte física, perde-se tudo referente a bens materiais. Pois esses bens que se recebe em forma de 'posse', são como talentos enviados por Deus, para o usufruto e aplicações progressistas que futuramente, serão cobrados os seus resultados" - diz Loricchio.

Eurípedes Kühl também levanta a questão de que os Espíritos esclareceram Kardec dizendo que, antes do primeiro tiro ser disparado, Espíritos desencarnados que se comprazem na discórdia e na destruição, sintonizados com homens déspotas e povos ambiciosos, incensam - por ação mental obsessiva que a sintonia entre eles estabelece - mais e mais conquistas, transbordando paixões. No entanto, segundo ele, "o cidadão convocado pela pátria à guerra e que morre no campo de batalha não leva para o plano espiritual o estigma de assassino pelas eventuais mortes que tenha provocado, principalmente em defesa de si mesmo, além da sua nação e, de forma indireta, da própria família. Esse Espírito será acolhido por equipes espirituais socorristas, que o internarão em colônias para refazimento; ali receberá esclarecimentos da Lei Divina de Justiça, demonstrando-lhe que ao morrer certamente quitou dívida que lhe pesava no passivo de existências pretéritas. Consciente da bondade de Deus, requisitará reencarnar e provavelmente logo será atendido".


De acordo com o escritor Eurípedes Kühl, os governantes que dão origem às guerra são mais responsáveis diante da espiritualidade do que as pessoas que apertam o gatilho


Ainda de acordo com o escritor, os governantes que dão origem às guerras são mais responsáveis diante da espiritualidade do que as pessoas que apertem o gatilho. A Lei de Destruição já explicava que aquele que fomenta a guerra em seu proveito deverá expiar muitas outras existências. Como é fruto do egoísmo e ambição, responde por todas as mortes que tenha causado.

"O líder é sempre mais responsável do que os seus liderados que conscientemente o apóiem", complementa Eurípedes Kühl, "assim estabelecendo formidável energético para a ação intentada - guerra, no caso. Vários exemplos históricos registram grandes líderes arrastando multidões para conquistas, pela força". Ele diz que uma pessoa sozinha não poderá evitar uma guerra entre nações, mas pode e deve decretar a paz em sua vida, no lar, no trabalho e junto aos demais, com isso promovendo a fraternidade pessoal que, somada à de outros que assim procedam, redundará na paz coletiva.

Será que humanidade não progrediu o suficiente para evitar a guerra? Sérgio dos Santos Rodrigues responde essa questão lembrando o capítulo que estuda a Lei do Progresso, o qual diz que o progresso possui duas vertentes: a moral e a intelectual. "O progresso moral decorre do intelectual, que faz o homem compreender a diferença entre o bem e o mal. Enquanto não desenvolve o senso moral, o progresso intelectual é utilizado para a prática do mal, servindo-lhe de instrumento" - diz Sérgio.

Como os Espíritos disseram, o progresso moral é mais demorado e não consegue acompanhar o avanço da inteligência, ainda que tenhamos evoluído muito moralmente nos últimos milênios. "Assim, - diz Sérgio - a predominância do mal, que caracteriza um mundo de provas e de expiações, impele os mais desenvolvidos intelectualmente, e em consequência mais fortes, a buscarem, cada vez mais, ampliar seus poderes em detrimento dos mais fracos".


Uma pessoa não consegue evitar uma guerra entre nações, mas pode e deve decretar a paz em sua vida, no lar, no trabalho e junto aos demais


O fato é que as consequências espirituais de uma guerra permanecem ignoradas pela maioria das pessoas, e os seus responsáveis terão de suportar, no mundo espiritual e em encarnações futuras, os efeitos da lei de ação e reação que rege o universo.

Em resumo, o Espiritismo não vê a guerra como uma situação irreversível, mas como resultado passageiro da humanidade. Mesmo considerando que o progresso moral é lento, um dia ele vai propiciar o banimento das guerras e de todo tipo de violência em nossa sociedade.


Fonte: Revista Espiritismo & Ciência - Coleções (edição 04)

Possessão demoníaca, exorcismo, obsessão... Ao longo do tempo, vem sendo propagada a ideia de que a violência é necessária para "expulsarmos" um espírito obsessor. Hoje, a luz do espiritismo sabemos que só o amor traz a libertação



Para fundamentar o nosso estudo, vamos analisar os conceitos de espírito e de matéria inseridos no pensamento do codificador Allan Kardec.

Espírito: O espírito, originado do princípio inteligente do universo, embora de natureza não palpável, é algo que existe como individualização desse princípio. É incorpóreo e não pode ser percebido pelos nossos sentidos. Pode existir independentemente do corpo que anima e, na sua forma, seria comparado a uma chama, um clarão, uma centelha luminosa, cuja cor pode variar do escuro ao brilho do rubi. Pode penetrar e atravessar a matéria e se deslocar ao espaço tão rapidamente como o pensamento. Mesmo não se dividindo, se irradia para diferentes lados, como o sol envia seus raios a muitos lugares distantes, parecendo estar neles simultaneamente.

Entende-se por alma o espírito encarnado, que, não estando enclausurado no corpo, se irradia e se manifesta, se exteriorizando como a luz elétrica através de um globo de vidro.

Matéria: A matéria é o segundo elemento geral do universo, tanto como o espírito, é também criado por Deus, constituindo, esses três, o princípio de tudo que existe, a Trindade Universal: Deus, espírito e matéria.

A matéria pode ser entendida como aquilo que tem extensão, é impenetrável e pode impressionar os nossos sentidos, mas ela existe em outros estados desconhecidos, tão etérea e sutil que não produza nenhuma impressão aos sentidos físicos.


Para se proteger dos espíritos obsessores, é preciso, como indicou o Mestre, orar e vigiar, além de procurar levar uma vida de acordo com os ensinamentos evangélicos


Ao elemento material deve-se acrescentar uma de suas formas de apresentação, entre as inumeráveis combinações distinguidas por propriedades especiais: o Fluido Universal, que exerce o papel de intermediário entre o espírito e a matéria.

Fluido Universal: Este Fluido Universal, ou Primitivo, ou Elementar, é o princípio da matéria ponderável cujos elementos e compostos químicos são transformações dele, nas modificações que as moléculas elementares sofreram ao unirem-se em determinadas circunstâncias, lhes dando diferentes propriedades, como o sabor, o odor, as cores, as ações cáusticas, salutares, nutritivas, radioativas etc.

O Fluido Universal é suscetível de inúmeras combinações com a matéria e, ainda, sob a ação do espírito, produzir infinita variedade de coisas. E o agente de que o espírito se serve para animar, agregar, transmitir, alterar, condensar, dispersar, materializar, vitalizar, dar forma e estrutura a todas as constituições físicas, quer sejam minerais, vegetais, animais ou humanas.

Entre as muitas modificações do Fluido Universal, duas se revestem de maior importância para os seres vivos: o Princípio Vital e o perispírito.

Princípio Vital: O Princípio Vital é a força motriz dos corpos orgânicos. A sua união com a matéria a animaliza, diferenciando-a dos corpos inorgânicos. Ele dá vida a todos os seres que o absorvem e assimilam. É também chamado fluido magnético ou fluido elétrico animalizado, é o intermediário entre o espírito e a matéria. Ao mesmo tempo que impulsiona os órgãos, a ação destes o mantém, conserva e desenvolve, como o atrito produz o calor e a corrente elétrica produz o campo magnético ou a irradiação luminosa.

O Princípio Vital ou fluido magnético pode ser transmitido pela vontade dirigida do seu portador a outros seres vivos, contribuindo em favor do seu reabastecimento ou reequilíbrio orgânico.

Perispírito: O perispírito, ou corpo fluídico do espírito, ou ainda psicossoma, ou corpo espiritual, é um dos produtos mais importantes do Fluido Universal, é uma condensação dele em torno de um foco de inteligência ou espírito. Os espíritos compõem seu perispírito do ambiente onde se encontram. Isto quer dizer que se forma dos fluidos ambientais e, portanto, varia em conformidade com o mundo em que vivem. A natureza do perispírito está sempre relacionado com o grau de adiantamento moral do espírito.

O perispírito pode ser entendido como a vestimenta do espírito, o que lhe dá propriamente forma. Entre as muitas atribuições do perispírito, se coloca aquela de intermediário entre o espírito e o corpo. É ele constituído de substância vaporosa, não visível aos olhos humanos, porém assumindo consistência nos planos do Espírito.

Ao perispírito se pode atribuir a qualidade de estruturador do corpo orgânico, a partir da fecundação, na embriogênese, bem como estar diretamente relacionado à memória biológica, isto é, o registro das múltiplas experiências nos campos dos seres vivos, no decurso dos milênios, a partir das primeiras manifestações das formações protoplásmicas. Nele aglutinamos todo o equipamento de recursos automáticos que governam as bilhões de células, adquiridos vagarosamente pelo ser através dos tempos, nos esforços de recapitulação pelos diversos setores da evolução anímica.

Pode-se visualizar o perispírito ou Corpo Espiritual à semelhança de uma estrutura eletromagnética integrada, enriquecida de informações que se foram acumulando experimentalmente num mecanismo de estímulo-resposta, dentro de uma diretriz evolutiva, ou seja, de autoseleção e auto-aprimoramento, conduzida por um principio de conservação de energia, onde o máximo de informações são armazenadas com o mínimo dispêndio de energia.


Na fascinação, a ação do espírito no pensamento do indivíduo é de tal ordem que ele não se considera iludido, nem é capaz de compreender o absurdo do que faz


Esse Corpo Espiritual vem se diversificando e aumentando de complexidade do mesmo modo como se observou nos seres vivos a evolução biológica e a formação dos aparelhos e sistemas no organismo animal. É ele sensível aos impulsos ou às irradiações dos nossos pensamentos, refletindo as imagens fluídicas plasmadas pelas ideias.

Pode também o perispírito se alterar no seu equilíbrio magnético em decorrência das próprias impregnações que as nossas imagens perniciosas e deteriorantes nele se projetem e se gravem. Interligado como se acha, interagindo na intimidade celular por contato molecular, portanto, nas estruturas atômicas da matéria, tais desequilíbrios se transmitem ao organismo físico, nas áreas mais sensíveis ao tipo de impulso desencadeado, determinando desordens físicas, causas de certas moléstias.

Assim, os descontroles emocionais, nos ódios, na irritação, as extravagâncias no comer e no beber, a maledicência, os desequilíbrios do sexo, o fumo, o álcool, os tóxicos, podem gerar enfermidades, tais como, respectivamente: cardiopatias, doenças hepáticas, gastralgias, surdez e mudez, cansaço precoce e distrofias musculares, asmas e bronquites, loucura, idiotia.


AÇÕES MAGNÉTICAS NO PERISPÍRITO
Entende-se por obsessão o domínio que alguns espíritos podem adquirir sobre certas pessoas. Pressupõe-se na obsessão a ação de espíritos inferiores com tal tenacidade que a pessoa sobre quem atua não consegue se desembaraçar.

Na obsessão, não ocorre a simultânea coabitação de corpos pelo espírito encarnado na posição de vítima e pelo espírito desencarnado na posição de algoz. Há, no entanto, o efeito de constrangimento de um sobre o outro, ou seja, de tolher, forçar, compelir, obrigar pela força, induzir.


OS TIPOS DE OBSESSÃO
As principais variedades da obsessão classificam-se em: obsessão simples, fascinação e subjugação.

Na obsessão simples, o espírito malfazejo se impõe, intrometendose contra a vontade do indivíduo, impedindo a ação de outros espíritos que possam vir em seu auxílio e causando-lhe inconvenientes como embaraço nas comunicações mediúnicas, insinuações levianas, incentivos à vaidade e a desejos ilícitos. Evidentemente, essas ações exteriores serão mais acentuadas e exercerão maior influência na medida em que mais apoio encontrarem no íntimo das criaturas por elas atingidas.

Na fascinação, a ação do espírito no pensamento do indivíduo é de tal ordem que ele não se considera iludido, nem é capaz de compreender o absurdo do que faz, podendo até ser arrastado a cometer ações ridículas, comprometedoras ou perigosas. Admite-se, nesses casos, estarem agindo espíritos inteligentes, ardilosos e com objetivos de maior alcance no mal, pois quase sempre utilizam a tática de afastar do seu intérprete aqueles que possam abrir os seus olhos ou esclarecer sobre seus erros. Os homens mais instruídos e inteligentes não estão livres desse tipo de obsessão.

A subjugação é um envolvimento que produz a paralisação da vontade da vítima, fazendo-a agir mesmo contrariamente ao seu desejo. A subjugação pode ser moral ou corpórea. Na primeira, o indivíduo é levado a tomar decisões frequentemente absurdas e comprometedoras. Na segunda, a pessoa realiza movimentos involuntários, nos momentos inoportunos, e até atos ridículos. Na subjugação, estão compreendidos os casos de possessão, cuja denominação pressupõe a ocupação do corpo da vítima, fato esse não admitido pelo Codificador.


UM CASO DE OBSESSÃO

C., 28 anos, solteira,
Profissão: caixa de diversas casas
foi despedida porque tinha ataques epileptiformes


Sofria de ataques convulsivos, resistentes às medicações prescritas.
Ao mudar-se para Bauru, passou perfeitamente bem lá durante um ano, frequentando o Círculo Esotérico local. Ao voltar para São Paulo, reapareceram os ataques. Declara que testemunhas afirmam que, em certas ocasiões, apresentava movimentos como de cobra durante os ataques. Estes cessaram com a medicação anticonvulsivante, porém restavam formigamentos nos braços e uma tristeza interna. Levada a um médium espírita, dr. Z., entrou imediatamente em transe quando ele pediu-lhe que repousasse as suas mãos nas dele. Ela readquire imediatamente a consciência, após a aplicação de alguns “passes”. Pergunta-lhe o dr. Z. quem era um cidadão moreno, forte e uma jovem de cabelos compridos, castanhos e com um dente lateral saliente. Responde-lhe a paciente que se tratava de um avô, já falecido e uma amiga que se suicidara três meses após o casamento. Nunca mais teve ataques, sem usar medicação alguma. Quatro anos depois continuava bem.

Diagnóstico Psiquiátrico: provável histeria, de aspecto epileptiforme.
Espiriticamente: obsessão espírita (pelo espírito da suicida).


CARACTERÍSTICAS
Há uma relação de características pelas quais se pode reconhecer os casos de obsessão. Tais caracteres vão da insistência dos espíritos em se comunicar, ilusão do médium que não reconhece a falsidade das comunicações, crença na infalibilidade dos espíritos comunicantes, aceitação dos elogios feitos pelos espíritos, reações agressivas às críticas feitas sobre as comunicações recebidas, a quaisquer formas de constrangimento moral ou físico, ou ainda ocorrências de ruídos e movimentos de objetos sem causas normalmente explicáveis.


CAUSAS
Os motivos ou causas da obsessão podem ser geralmente admitidos como originados de:

a) Vinganças de espíritos contra pessoas que lhes fizeram sofrer nessa ou em vidas anteriores;
b) Desejo simples de fazer outros sofrerem, por ódio, inveja, covardia;
c) Para usufruir dos mesmos condicionamentos que tinham quando na vida física, induzem os seus afins a cometê-los;
d) Apego às pessoas pelas quais nutriam grandes paixões quando em vida;
e) Por interesse em destruir, desunir, dominar, provocar o mal, manter distúrbios, partindo de inteligentes espíritos das hostes inferiores.


A TERAPÊUTICA NAS OBSESSÕES
No estudo de O Livro dos Médiuns, Cap. XXIII, o autor indica alguns meios para se combater a obsessão, aqui apresentados para discussão, como segue: – Paciência para com os obsessores(id., ib. item 249)

No trato com as entidades incorpóreas que estejam agindo mentalmente sobre as criaturas, há que compreender-lhes seus motivos de perseguição e, com espírito humanitário, induzir-lhe pacientemente a mudarem suas disposições. Mesmo entre criaturas humanas, uma abordagem respeitosa e compreensiva transmite sempre um envolvimento fraterno e uma radiação de amor que, certamente, age sobre as próprias estruturas perispirituais, de forma confortadora, carinhosa, estabelecendo importantes apoios para as necessárias mudanças comportamentais. A severidade, no entanto, ao lado da benevolência, aliadas à prece em favor deles, constituem fatores eficazes na solução dessas influências. – Apelo ao anjo bom e aos bons espíritos (id., ib. item 249)

Recorrer à assessoria daqueles que operam no mesmo plano da vida espiritual é fator preponderante em qualquer trabalho dessa natureza quando, na maioria das vezes, todo o encaminhamento e aproximação com aqueles perseguidores (às vezes, nossas vítimas) realizam-se nos territórios do imponderável, livre ao acesso desses auxiliares espirituais. – Interrupção das comunicações escritas”(id., ib. item 249)

Alterando-se o intermediário, na posição de instrumento mediúnico nas comunicações psicografadas, ou mesmo na psicofonia, por ações de mentes perturbadoras (encarnadas ou desencarnadas), a interferir no fluxo das mensagens transmitidas por meios telepáticos, como providência criteriosa e prudente, a interrupção provisória desses exercícios mediúnicos é de todo aconselhável, até que se restabeleçam os canais de vazão telepática com os bons espíritos e se afastem as infiltrações prejudiciais. – Intervenção de um colaborador que atue pelo magnetismo ou pelo império da vontade”(id. ib.,item 251)


A severidade, no entanto, ao lado da benevolência, aliadas à prece em favor deles, constituem fatores eficazes na solução dessas influências


A ação mental de apoio diretamente sobre o paciente, estimulando-lhe os próprios recursos de reação, tanto pela aplicação das energias fluido-dinâmicas nos mecanismos do passe, como pelo esclarecimento renovador, elevando-lhe o padrão dos próprios pensamentos e fortalecendo a vontade no bem, atinge as estruturas perispirituais e os campos de radiações da psicosfera (ou mente) momentaneamente desarticulados, devolvendo-lhes a ordem e a sanidade.

Os resultados benéficos obtidos serão tanto mais significativos quanto maior for a superioridade moral dos colaboradores e menores as imperfeições do obsediado. Essas imperfeições morais constituem frequentemente para o paciente obstáculos à sua libertação (id. ib., item 252)

Ensina-nos André Luiz: "... almas regularmente evoluídas, em apreciáveis condições vibratórias pela sincera devoção ao bem, com esquecimento dos seus próprios desejos, podem, desse modo, projetar raios mentais, em vias de sublimação, assimilando correntes superiores e enriquecendo os raios vitais de que são dínamos comuns".


Por: Ney Prieto Peres
Fonte: Revista Cristã de Espiritismo (edição 08)

As discussões sobre a sexualidade e como ela pode afetar o médium são mais importantes do que se imagina. Mais que isso, o tema sexual não pode ficar afastado das considerações de todos os espíritas, e deve ser discutido sem preconceitos e sem medo


Para se falar em relação sexual e energia procriadora, faz-se necessário mencionar algumas das informações trazidas até nós pelo espírito André Luiz sobre as funções da epífise.

Ela reativa as forças criadoras no ser humano, aproximadamente aos 14 anos. No período do desenvolvimento infantil, permanece em fase de reajustamento, absorvendo novos reflexos e ensinamentos que são ministrados nessa fase da vida, e que farão frente ou que vão se somar às colheitas das vidas passadas, que ressurgirão, de acordo com a vontade, sob fortes impulsos.

Por esse motivo, a epífise é denominada a glândula da vida espiritual. Ela funciona como uma usina, fonte geradora de elementos psíquicos ou “unidades força”, necessárias à fecundação das diversas formas da criação. Pode ser direcionada para a fecundação dos mais nobres valores da divindade ou utilizada para a orgia dos prazeres das criaturas terrestres.

Em nosso meio ainda existem vários resquícios de tabu no que diz respeito a conversações sobre o sexo. No entanto, fazendo parte da vida, o espírita estudioso não pode deixar de estudá-lo e analisá-lo de forma natural, para que seja bem compreendido e orientado. Os tempos em que essa manifestação de afeto e amor, no que diz respeito ao sexo verdadeiro, era “pecaminosa”, já passaram e seguramente não deverão mais voltar.

O sexo não é patrimônio exclusivo da humanidade terrestre; é tesouro divino em todos os mundos no universo infinito. Para as criaturas humanas, que ainda estão distantes da compreensão e vivência das Leis Divinas, permanece num quadro triste de ignorância, perversão e desequilíbrio.

Na existência humana, o sexo pode ser um dos instrumentos do amor, sem que o amor seja sexo.


Não podemos confundir sexo e amor... o sexo é força instintiva ou inconsciente, o amor é energia consciente e espontânea


O instinto sexual é poderosa força de atração, unindo os corpos físicos, reencontrando as almas para resgates de débitos, dirigindo os homens para conquistas e objetivos da Lei Suprema: o amor, a felicidade e a harmonia.

Mesmo com a pobreza de valores íntimos, o homem caminha, embora lentamente, em direção ao objetivo maior do Criador, que é o progresso e a perfeição. Não podemos confundir sexo e amor, pois enquanto o sexo é força instintiva ou inconsciente, o amor é energia consciente e espontânea. Todavia, sexo sem amor é pobre e pequeno, quando não, promíscuo.

Em experiências afetivas, o homem costuma ver a energia instintiva sexual como sendo amor, e isso tem promovido quase todas as uniões de homens e mulheres na Terra. Constantemente, observamos muitos lares desabados porque só havia energia instintiva sexual e nenhum amor. Na Terra, o amor ainda é uma aspiração da eternidade, encravada no egoísmo, nos interesses, na ilusão, e na fome de prazeres que fantasiamos como sendo a Virtude Celeste. Desejo e sentimento de posse não significam amor.

Para um bom relacionamento, faz-se necessário buscarmos o que nos ensina o evangelho de Jesus Cristo: “Devemos amar sem nos preocupar em sermos amados”.

Para alcançarmos o amor sublime devemos cultivar a semente da humildade, da bondade, da paciência, do perdão, da tolerância, da indulgência, da ternura, da delicadeza, da renúncia e do entendimento. Sem os tesouros da fé sincera, essas plantas divinas não germinarão no canteiro do coração; vão sucumbir antes do tempo, alastrando a desarmonia, a delinquência e os crimes. Sem falar na ampliação dos débitos e no adiamento dos resgates anteriores para reencarnações futuras, quase sempre acrescidas de dores e sofrimentos, para o nosso bem.

O médium atento deve se preocupar com essas questões e, acima de tudo, tratá-las com naturalidade pois, sendo o sexo um mecanismo de evolução, seu abuso poderá contribuir para a decadência moral.

Ainda se questiona sobre o sexo e a prática mediúnica. Poderá o médium praticá-la em dias de atividades ou não? E possível conciliar as duas coisas? Receberei mensagens espirituais se praticar sexo no dia da atividade? E como ficam aquelas pessoas que trabalham em práticas mediúnicas todos os dias na casa espírita e que também são casadas?

Todas essas questões devem ser tratadas com simplicidade e autenticidade. A nosso ver, sendo o sexo algo natural em nossa escala evolutiva, o médium poderá praticá-lo sem problemas – o sexo com amor – com o seu ou a sua cônjuge, sem que isso prejudique a prática mediúnica. Conforme sabemos, o sexo é uma troca de energias entre seres que o praticam com respeito e amor. Assim, como poderá fazer mal a algum médium?

Mas se fala muito da fadiga energética do médium quando pratica sexo. A lógica nos mostra que, quando existe troca de energias, não existe fadiga. Falamos aqui da troca calorosa e sincera de energias; não falamos de sexo desvairado com parceiros estranhos, a cada momento. No entanto, mesmo que seja só com uma parceira ou parceiro, se a prática for constante e desvairada, haverá, sim, fadiga. Compreendemos que tudo o que extrapola o natural e passa a ser exagerado, tem muito a prejudicar.

Cabe ainda uma pergunta. Se o médium está com muita vontade de ter relações afeto-sexuais com o parceiro e não pratica, mas fica com isso na cabeça o tempo todo, não atrapalharia ainda mais a prática de sua tarefa? Achamos que sim, pois o pior de tudo é manter o sexo na cabeça; a tarefa mediúnica exige concentração do médium.

O sexo tem sido tão aviltado pela maioria dos homens reencarnados na crosta, que o que observamos na atualidade é a inversão dos valores sublimes da criação divina, transformados em rolo compressor para os interesses da indústria do sexo desvairado. Atualmente, é o item mais divulgado e procurado, com o objetivo de despertar a sensualidade tanto no homem como na mulher, não se importando com os danos que isso certamente vai causar.

O que interessa são os lucros arrecadados e não o cultivo dos valores morais sublimes, que ainda não conseguimos enxergar. A relação sexual entre a maioria dos homens e mulheres terrestres se aproxima demasiadamente das manifestações dessa natureza entre os irracionais, sem qualquer obediência às Leis Divinas. Neste plano de baixas vibrações onde predomina ainda a semi-brutalidade, muitas inteligências admiráveis preferem se demorar em baixas correntes evolutivas. A união sexual entre criaturas que já atingiram grandes elevações é muito diferente. Traduz a permuta sublime de energias perispirituais, simbolizando o alimento divino para a inteligência e para o coração; é força criadora não somente de filhos carnais, mas também de obras e realizações generosas da alma para a vida eterna. A procriação é um serviço que pode ser realizado por aquele que ama, sem ser o objetivo exclusivo das uniões.

Todo ato criador está repleto de sagrados valores da divindade, e são esses valores tão abençoados que, por interesse de mentes enfermiças, conduzem impreterivelmente ao abuso e a orgias de prazeres.


Poderá o médium praticar sexo em dias de atividades? ...o médium poderá praticar o sexo com amor sem problemas [...] Falamos aqui da troca calorosa e sincera de energias; não falamos de sexo desvairado com parceiros estranhos, a cada momento


Assim, homens e mulheres, raciocinando numa atmosfera mental caótica, permitem aos obsessores do invisível colocar em prática seus interesses na desintegração familiar e social, bem como em retardar o progresso espiritual, mantendo a grande maioria das criaturas que se afinam com seus ideais sob controle. Com isso, preservam os meios para saciar seus desejos, que não foram corrigidos enquanto encarnados.

O médium deverá ter bastante cautela com essa temática, para poder verdadeiramente colaborar ainda mais com sua conduta mediúnica. Ele já é um necessitado que, agora, reencarna com propósitos nobres de evolução e de restabelecimento da harmonia desarticulada no passado. O sexo não é um bicho-de-sete-cabeças que deva ser tratado pelo médium como um assunto intocável, mas sim, como um assunto do cotidiano, tratado com respeito.

Os homens fizeram do sexo um motivo de escândalo, tornando-o uma coisa impura e repelente. Mas o sexo é uma manifestação do poder criador, das forças produtivas da natureza. O espírita não pode encarar a questão sexual como assunto proibido. O sexo é a própria dialética da criação e existe em todos os reinos da natureza.

O paganismo chegou a fazer do sexo motivo de adoração. Os povos primitivos revelam grande respeito e assumem atitude religiosa diante do sexo. Mas para esses povos, ainda bem próximos da natureza, o sexo não está sujeito aos desregramentos, aos abusos e ao aviltamento que se vê no mundo civilizado. O Cristianismo condenou o sexo e fez dele a fonte de toda a perdição, mas o Espiritismo reconsidera a questão, colocando um meio-termo entre os exageros pagãos e cristãos. O espírita sabe que o sexo é um grande campo de experiências para o espírito em evolução e que é através dele que a lei de reencarnação se processa na vida terrena. Portanto, como considerá-lo impuro e repelente?

Em O Livro dos Espíritos, Kardec comenta: “Os Espíritos se encarnam homens ou mulheres, porque não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, lhe oferece provas e deveres especiais e novas ocasiões de adquirir experiências”. Como vemos, o sexo é considerado pelo Espiritismo no seu justo lugar, como um meio de evolução espiritual. Por isso mesmo o espírita não pode continuar a encarar o sexo como o faz o comum dos homens. Não pode abusar do sexo, nem desprezá-lo. Deve antes considerar o seu valor e a sua importância no processo da evolução.

No meio espírita, ainda existe muita prevenção contra os assuntos sexuais. Mas é necessário que essa prevenção seja afastada através de uma compreensão mais precisa do problema. Não há motivo para se fazer do sexo um assunto tabu, mas também não se deve exagerar nesse terreno, pois muitos se escandalizariam. Devemos nos lembrar de que, por milhares de anos, ao longo de sucessivas gerações, o sexo foi considerado, na civilização cristã em que nascemos e vivemos, um campo de depravação, de perdição das criaturas. A simples palavra sexo provoca em muita gente uma situação de ambivalência: interesse oculto e repulsa instintiva. Por isso mesmo a educação sexual deve ser encarada seriamente e não pode ser deixada à margem da pedagogia espírita.

A maior dificuldade para a questão sexual está no lar, na vida familiar. Em geral, os pais espíritas não sabem como preparar os seus filhos para a chamada “revelação do sexo”. O regime do silêncio continua a imperar em nossos lares, criando maiores dificuldades para o esclarecimento da questão. A simples proibição do assunto gera um clima de mistério, aumentando os motivos de desequilíbrio para os adolescentes. Por sua vez, os pais também sofrem de inibições decorrentes de um sistema errado de educação a que estiveram sujeitos.

Na família, a atitude mais acertada é a de não se responder às indagações das crianças com mentiras douradas. Mas também não se deve responder de maneira crua. Seria uma imprudência queremos sair de um sistema de tabus para uma situação de franqueza rude. Há muitas maneiras de fazer a criança sentir que a questão sexual não é nem mais nem menos importante do que as demais. Cada mãe ou pai tem de descobrir a maneira mais conveniente ao seu meio familiar. A regra mais certa é a resposta verdadeira, de maneira indireta. Se a criança perguntar “Como a gente nasce?”, deve-se responder, por exemplo, “Da mesma maneira que os gatinhos”. Começando assim, pouco a pouco, os próprios pais vão descobrindo a técnica de vencer as dificuldades, sem iludir os filhos com lendas e mentiras que criam um ambiente de excitação perigosa.


Os Espíritos se encarnam homens ou mulheres, porque não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, lhe oferece provas e deveres especiais e novas ocasiões de adquirir experiências


Nas escolas espíritas, o problema deve ser apresentado com o mesmo cuidado, pois a situação é ainda mais melindrosa: as crianças de uma classe pertencem a diversas famílias, com diferentes costumes. É perigosa a chamada “atitude científica”, geralmente seguida nas escolas pelos professores de ciências. A frieza científica não leva em consideração as sutilezas psicológicas. O ideal é que o assunto seja discutido previamente em reuniões pedagógicas, entre os professores de ciências, de psicologia, de moral e o orientador pedagógico. Na verdade, o problema é mais de pedagogia do que de ciências. O bom pedagogo saberá conduzi-lo com o tato necessário, sem produzir choques perigosos e sem deixar que o assunto caia novamente no plano do mistério.

Quanto aos jovens, devem promover cursos e seminários a respeito, sempre com a assistência de um professor experimentado, de moral ilibada e reconhecido bom-senso. Os jovens têm grande necessidade de boa orientação sexual pois estão na fase de maior manifestação dessas exigências e, se não forem bem orientados, poderão cair em lamentáveis complicações.

O jovem espírita, embora esclarecido pela doutrina, não está menos sujeito a desequilíbrios sexuais. Sabemos que esses desequilíbrios têm duas fontes principais: os abusos e vícios do passado, em encarnações desregradas; e as influências de entidades perigosas, muitas vezes ligadas aos jovens pelo passado delituoso. Por isso mesmo, o problema só pode ser tratado de maneira elevada, com grande senso de responsabilidade. Os médicos espíritas podem ser grandes auxiliares das Mocidades Espíritas nesse setor.

Quanto aos espíritas adultos, não estão menos livres do que os jovens. São vítimas de uma educação defeituosa, de um ambiente moral dominado pela hipocrisia em matéria sexual, e trazem as heranças do passado, às vezes agravadas por esse ambiente. No meio espírita, precisam se acostumar a encarar a questão sexual de maneira séria, evitando as atitudes negativas que dão entrada às influências perigosas.

Encarando o sexo sem malícia, como uma função natural e uma necessidade vital, ao mesmo tempo o espírita se corrige e modifica o ambiente em que vive, afastando do mesmo os espíritos viciosos e maliciosos, que não mais encontram pasto para os seus abusos. O melhor meio de afugentar esses espíritos e de encaminhá-los também a uma reforma íntima, é a criação de uma atitude pessoal de respeito pelos problemas sexuais e o cultivo de um ambiente de compreensão elevada no lar.

Essa mesma atitude deve ser levada para os ambientes de trabalho, por mais contaminados que eles se apresentem. O espírita não deve fugir espavorido diante das conversas impróprias, pois com isso demonstraria incompreensão do problema e provocaria maior interesse dos outros em perturbá-los. Mas também não deve estimular essas conversas com sua participação ativa. Sua atitude deve ser de completa naturalidade, de quem conhece o problema e não se espanta com as conversas de mau gosto, mas também de quem não acha motivos para alimentar essas conversas e delas participar. Sempre que possível, e com senso de oportunidade, ele deve procurar mudar os rumos da conversa para assuntos mais aproveitáveis ou mesmo para os aspectos sérios da questão sexual.

Nos casos dolorosos de inversão sexual, o espírita geralmente se vê em dificuldade. O mais certo é apelar para os conhecimentos doutrinários e para o poder da prece. Ajudar o irmão desequilibrado a lutar corajosamente para a sua própria recuperação, procurando corrigir a mente viciosa e manter-se o mais possível em atitude de quem espera e confia na ajuda dos Espíritos Superiores.

Trabalhos mediúnicos podem favorecer grandemente esses casos, quando realizados com médiuns sérios, conscientes de sua responsabilidade e de reta moral. Não se dispondo de elementos assim, de absoluta confiança, é melhor abster-se desses trabalhos, insistindo na educação progressiva do irmão infeliz através de preces, leituras e estudos, conversações construtivas e passes espirituais, aplicados de maneira metódica, em dias e horas certas. Se o irmão enfermo colaborar, com sua boa vontade, os resultados positivos logo se farão sentir, porque ninguém está condenado ao vício e ao desequilíbrio, a não ser pela sua própria vontade ou falta de vontade para reagir.

Nosso destino está vinculado à maneira pela qual encaramos o sexo. Bastaria isso para nos mostrar a importância do problema. É inútil querermos fugir a ele. O necessário é modificarmos profundamente as velhas e viciosas atitudes que trazemos do passado e que encontramos de novo na sociedade terrena, ainda pesadamente esmagada por suas próprias imperfeições.


Encarando o sexo sem malícia, como uma função natural e uma necessidade vital, ao mesmo tempo o espírita se corrige e modifica o ambiente em que vive


Encaremos o sexo como uma manifestação do poder criador, tratando-o com o devido respeito, e assim mudaremos a nós mesmos, aos outros e à sociedade em que vivemos. O espírita deve ser o elemento sempre apto a promover essa mudança e nunca um acomodado às situações viciosas que dominam as criaturas e as escravizam.

Enfim, o problema sexual deve ser encarado pelo espírita com naturalidade. O sexo deve ser considerado como fonte de força, vida e equilíbrio, devendo por isso mesmo ser respeitado e não aviltado.

Lembramos ainda que a mente é como um corcel e, por vezes, segue desenfreada existência afora. Muitas vezes, é o maior motivo de “poluição” de nossa trajetória evolutiva.

Em nossas casas, tratemos cada caso com estudo, para podermos orientar melhor e não desferir idéias preconcebidas e, por vezes, descabidas, freqüentemente confessando um puritanismo inútil de nossa parte. Tratemos o tema com lucidez, para podermos colaborar melhor, destruindo assim o medo e o tabu que existe a respeito do sexo em nosso meio.


Por: Aluney Elferr
Fonte: Revista Espiritismo & Ciência (edição 18)

Como o médico espírita pode auxiliar espiritualmente o paciente sem interferir em sua religião


O médico espírita desperta nas pessoas uma esperança de que pode solucionar as mais difíceis patologias da medicina. E talvez tenham razão, quando nós, médicos espíritas, exercitamos com mais consciência e fé a nossa mediunidade intuitiva, ou seja, aprendemos a permanecer conectados, através da expansão de consciência, com o indispensável mundo paralelo onde as equipes espirituais, nossos mestres, nos ensinaram ou nos querem ensinar como desvendar os mistérios ou dificuldades da medicina e de todas as ciências do planeta.

Foi através do exercício ou expansão da consciência, através da sensibilidade dos médiuns de nosso grupo de estudo que tivemos êxito com o caso do menor Rafael, um autista, filho de mãe desquitada, pobre, que sobrevive de lavados dosmésticos; o qual após peregrinar por vários consultórios médicos e instituições psiquiátricas, chegou ao nosso atendimento fraterno, no Centro Espírita Lar de Jesus, já com diagnóstico médico de autismo, mostrando total desligamento da realidade cognitiva, olhar distante, balbuciando ocasionalmente alguns ruídos, entendidos com grande dificuldade por sua mãe.


A medicina do futuro, a medicina do Cristo, já está sendo aplicada pelos médicos que acreditam na espiritualidade


Rafael chegou ao nosso atendimento com dez anos de idade e a mãe, Maria de Jesus, desesperançada quanto à saúde mental de seu filho. Nós a encorajamos a ter fé, acreditando no amparo divino através das equipes espirituais que assistem todo o planeta, dirigido pelo nosso Mestre Jesus. Encaminhamos o garoto para tratamento de desobsessão, já que, além de autista, a percepção de vibrações de baixa frequência era evidente.

Na cabine de passe, aplicamos durante seis meses, uma vez por semana, deitado em uma maca, o que chamamos de realinhamento de chacras ou técnica das polaridades, usadas em nossa clínica particular Núcleo de Terapia Transpessoal.

Vou citar um caso que ocorreu na clínica, para explicar porque usamos a técnica de realinhamento dos chacras em Rafael.

Certa vez, uma paciente entrou em nosso consultório com forte crise de cefaléia crônica. Ela usava há quatro anos potentes analgésicos e antidepressivos, medicados pela clínica psiquiátrica, mostrando no seu rosto profundo e doloroso sofrimento. Foi levado por mim a deitar-se no divã, onde fiz a pergunta: como a dor de cabeça naquele momento era representada? A paciente logo entrou em regressão, vivenciando uma cena de tontura em que sua cabeça era comprimida por uma prensa por esmagamento do crânio, causa de sua dor de cabeça. No término da sessão, a dor de cabeça tinha desaparecido, mostrando ela agora a face descontraída e feliz. Quando pedi para a paciente levantar-se e ir ao encontro de seu esposo, que a aguardava na sala de espera, a paciente de pé, próxima ao divã, parou e me disse: "Doutor, não consigo sair deste lugar". Eu insisti, mas ela repetiu que não conseguia andar, eu então pensei: "E agora! O marido esperando lá fora..." Foi então que mais uma vez, fora as outras centenas de vezes, o telefone espiritual através de nossa mediunidade intuitiva, alertou-me que aquela paciente acabara de incorporar, conectar-se com uma entidade, sendo também uma médium consciente. Aliviei os músculos, a tensão, e mais facilmente veio o intercâmbio, me trazendo uma nova solução para aquela senhora que não era espírita e parecia assustada.

O recém-chegado colega Cícero Vasques, da sala ao lado, que trabalha com massoterapia, Reiki, Realinhamento de Chacras, e sabendo eu que entidades errantes se conectam através do chacra esplênico, fez-me lembrar que um realinhamento desconectaria a entidade do médium. Foi então que pela primeira vez e com a ajuda do prof. Cícero Vasques, que, solicitado por mim, aplicou o realinhamento, obtivemos êxito imediato, após o último movimento da técnica. Voltou a paciente de súbito à sua consciência de vigília, resolvendo assim esse novo desafio. Em seguida, agradecemos a assistência espiritual.

Passamos então, a partir desse dia, a aplicar nos pacientes ditos pré-psicóticos ou incorporados a técnica do realinhamento de chacras, para desconectar o agente teta que, através da elevação da freqüência vibratória do paciente, por um melhor fluir da energia vital, facilitando a abertura de seus chacras, mantêm a entidade desconectada pelo menos por 48 horas, enquanto se faz uma outra abordagem terapêutica.

Voltando ao caso de Rafael, foi essa a técnica que aplicamos com a intenção de ajudá-lo a retomar ao seu corpo físico, já que o autista mantém-se dissecado de seu corpo por escassez de ectoplasma, informação essa passada a nós em reunião mediúnica por equipe científica do plano espiritual, que nos orientou desde o início do tratamento a manter o realinhamento de chacras em Rafael, mas com a participação principalmente de médiuns de efeito físico ou de sustentação de nossa equipe de desobsessão, com a finalidade de doar o ectoptasma necessário ao acoplamento total de Rafael ao seu corpo físico, o qual, a cada uma das sessões seguintes, mostrava-se centrado mais no presente, passando então a falar e procurar pelas pessoas do atendimento fraterno.

Já faz um ano que Rafael entrou para uma escola especial. Já sabe ler, o que aprendeu sozinho. Também escreve com boa letra e já se compreende o que ele fala. Seus desenhos expressam com clareza o seu pensamento, mostrando grande inteligência, principalmente através de seus desenhos arquitetônicos de fachadas de edifícios.


As minhas próprias experiências de vida intra-uterina reforçaram minha convicção de que aqueles recém-nascidos podiam me entender e se comunicar comigo


Na impossibilidade de ir à escola por dificuldade de transporte, Rafael se aborrece e se agita desesperadamente. Ele gosta de ir à escola porque é lá que tem aprendido a desenvolver boa comunicação e relacionamento interpessoal.

Já estamos com um segundo caso de autismo, há um mês e meio e com seis sessões de desobsessão e realinhamento, observamos excelente resultado no garoto. Sua mãe, senhora esclarecida e de nível superior, também já nos falou da visível melhora com esse tratamento, após ir a várias capitais e instituições do país, sem resultado evidente. O seu depoimento é que o filho G..., nunca, em lugar algum, teve um avanço expressivo, como com essa abordagem terapêutica, feita por um grupo de sensitivos encarnados e desencarnados. A sua maior alegria, nesses últimos dias, foi o fato de seu filho ter falado pela primeira vez formando frases, o que não acontecia antes, pois era monossilábico, o que dificulta a sua comunicação, levando-o a chorar com freqüência quando queria ser entendido e não conseguia.

Portanto, fica aqui o nosso estímulo para que continuemos exercitando a conexão com nossos irmãos sábios e bondosos que nos assistem e torcem pelo nosso sucesso.


VIDA INTRA-UTERINA
Por ser pscicoterapeuta há seis anos, médico pediatra há 20 anos e trabalhar no berçário da Maternidade Dona Evangelina Rosa, passei, durante os meus plantões semanais, a ter comunicação com os recém-nascidos, tentando obter deles respostas convincentes de que estavam me ouvindo e me entendendo. Isso por que, nas regressões de memória feitas em adultos, os mesmos relatavam minúcias de sua vida intra-uterina, citando pensamentos, sentimentos e emoções de sua mãe e mesmo das pessoas ao seu redor.

Tive uma cliente que, vivenciando sua vida intra-uterina, descobriu que sua mãe não era biológica, mas sim adotiva. A sua mãe biológica era prostituta, e até a estampa da roupa da sua parteira ela relatou. Quando chegou em casa, confirmou a veracidade de sua experiência, causando assim fortes emoções que foram equilibradas nas sessões seguintes.

As minhas próprias experiências de vida intra-uterina reforçaram minha convicção de que aqueles recém-nascidos podiam me entender e se comunicar comigo. Foi o que fiz e faço há mais de quatros anos. No inicio, tive que conversar com os recém-nascidos e, ao mesmo tempo, filmar, documentar a experiência, pois o pessoal da enfermagem, sabendo que sou espírita, ao solicitar ajuda na filmagem, se negava dizendo: “Doutor, eu não gosto dessas coisas, não”. Tive que fazer tudo só, mas com o passar das experiências, as enfermeiras, presenciando os resultados positivos das comunicações com os recém-nascidos a distancia, passaram a se aproximar, me auxiliando e também conversando com eles.


CONVERSANDO COM OS BEBÊS
A comunicação com os recém-nascidos é feita com minha apresentação a eles, como médico do plantão. Digo a eles que sua permanência no berçário ou incubadora, longe de sua mãe, não é porque ela queira, mas porque eles estão se adaptando ao corpo físico, que está nesse momento debilitado ou imaturo. Faço uma programação positiva pedindo aos bebês que não se deixem agredir por bactérias, vírus ou fungos e que desenvolvam seu sistema imunológico, pois eles não estão sós e podem fazer isso. Digo em seguida: "Se você estiver me ouvindo e entendendo, me dê uma resposta: movimente seu braço direito, esquerdo, abra os olhos, movimente a perna direita, esquerda etc". Insisto uma, duas, três, cinco ou dez vezes, dependendo do estado do recém-nascido ou do meu próprio, mas sempre me dão uma resposta, movimentando o membro solicitado ou fazendo a expressão pedida. A dificuldade nas respostas é comum com os recém-nascidos nas primeiras 24 horas, talvez devido à ocitocina que, após o parto, deprime tanto a mãe quanto o recém-nascido.


RECUPERAÇÃO MAIS RÁPIDA
Com esses resultados, o respeito, os cuidados, a atenção aos recém-nascidos foram dobrados, e mantidos. As agressões verbais aos recém-natos, devidas ao cansaço do corpo clínico da maternidade e por razões conhecidas nossas, foram superadas em atenção aos pequeninos seres, reconhecidos com inteligências desde a fecundação e com certeza, para uns antes disso, extremamente sensíveis ao que se passa e se fala ao seu redor.


Faço uma programação positiva pedindo aos bebês que não se deixem agredir por bactérias, vírus ou fungos e que desenvolvam seu sistema imunológico, pois eles não estão sós e podem fazer isso


O resultado não poderia ser outro senão a recuperação mais rápida e eficiente de sua saúde, mesmo nos casos mais graves do berçário, como as septicemias e membranas hialina. O resultado positivo dobrou, quando passamos a convocar os pais e a ensiná-los a se comunicar e programá-los positivamente.

A nossa sensibilidade ou mediunidade, favorecida pelo nosso estado mental e espiritual, é fundamental para acessarmos o campo mental do recém-nascido e de todos os seres. Os colegas médicos e assistentes que melhor se comunicam com os recém-nascidos são exatamente aqueles mais religiosos, que fazem suas orações, lêem o evangelho e meditam mais.


Por: José de Ribamar Tourinho
Fonte: Revista Cristã de Espiritismo (edição 25)

O que é, por que e como ela surge.
Médicos e renomados médiuns espíritas ensinam como vencer este mal


Um estado de tristeza constante que persiste por mais de quinze dias consecutivos, queda de energia, vontade e interesse; alterações no apetite, sono e desejos sexuais, podem significar os primeiros sintomas de uma crise de depressão. É um problema que atinge um número cada vez maior de pessoas nos tempos atuais, mas como prevenir e combater este mal da vida moderna?

Nesta entrevista, o médico neuropsiquiatra e psicoterapeuta, Dr. Franklin Antonio Ribeiro, dirigente do Grupo Espírita Hosana Krikor e membro do Núcleo de Estudos dos Problemas Espirituais e Religiosos (NEPER), do Instituto de Psiquiatria da USP, esclarece quais são seus principais agentes causadores e como a ciência e a doutrina espírita podem trabalhar juntas.

A depressão pode ocorrer em qualquer idade?
Acontece em todas as idades, inclusive na infância. Uma tese apresentada em um congresso de psicanálise em Roma, no ano de 1953, mostrou que a falta de carinho e atenção pode causar depressão. A experiência foi realizada com 165 meninos que conviveram com as mães durante pelo menos seis meses e depois se afastaram por algum motivo. No primeiro mês, os bebês começavam a chorar mais, se tornavam tristes e mantinham distanciamento das pessoas que se aproximavam. No segundo, já não tinham a mesma qualidade no ganho de peso e altura e no terceiro, se as mães não retornassem, passavam a adquirir infecções com maior facilidade. Alguns chegavam a falecer. No caso das mães voltarem, os bebês se curavam da depressão. Isso mostra que o amor é um elemento valioso para tratar o problema.

A depressão pode ocorrer também na adolescência, tendo como sintoma mais comum a irritabilidade, aliás, o número de jovens com depressão vem aumentando devido ao uso exagerado do álcool e das drogas. O álcool é o maior agente depressor de todos. Mexe com o sistema controlador do humor, levando o indivíduo a ter alterações de comportamento. À principio, o álcool desinibe, por isso a maioria das pessoas gosta de beber, só que se houver predisposição genética, pode ocorrer a dependência. Já na terceira idade, ocorre alteração de memória. O esquecimento exagerado é um sinal no idoso.


Quando sentirmos que a tristeza insiste em se demorar conosco, ocupemos as nossas mãos e a nossa mente no serviço do Bem. Deixemos a poltrona do comodismo e desintoxiquemo-nos no suor da caridade


Como a depressão é analisada do ponto de vista médico, humanístico e espiritual?
A depressão tem várias faces. Do ponto de vista humanístico, o amor, desde a infância, é fator primordial e começa dentro da família. Se há uma relação sincera entre os parceiros, a criança vai crescer dentro de um lar estruturado, mesmo com todas as dificuldades naturais de uma relação humana. O indivíduo aprende desde cedo a lidar com a insatisfação, com as crises, com o respeito, amizade, desprendimento e outros aspectos importantes nos relacionamentos.

Muitas vezes, se a pessoa está com a auto-estima baixa, sem autoconfiança, desanimada, desinteressada, sem prazer na vida e sente que alguém se interessa por ela, sua imunidade melhora muito. O ser humano precisa se sentir reconhecido. Sem isso, começa a sentir uma sensação de vazio e angústia. O deprimido tem equívocos em relação ao que pensa sobre si mesmo. O indivíduo não se conforma com aquilo que está podendo ser e o que gostaria de se tornar. Do ponto de vista médico, a depressão é uma falta de neurotransmissores no cérebro, que necessita de medicamento, ou seja, de um controle químico. Pelo ângulo espiritual, a culpa, o remorso, a mágoa e o ressentimento levam a pessoa a estados depressivos, podendo causar o desenvolvimento de doenças psicossomáticas e até mesmo câncer. Portanto, o amor e o perdão que a doutrina espírita tanto nos ensina são sentimentos também preventivos.

Quais são os tipos de depressão?
Na depressão primária o indivíduo nasce com falta de neurotransmissores e com doses de remédio e amor a depressão pode ser evitada. Lembramos também que a depressão recebe os fatores genéticos. Estudos com irmãos gêmeos comprovam o fato. Na secundária, há fatores que podem desencadear a depressão como alguns medicamentos que afetam o humor, períodos pós-cirurgia, pós-parto, pré-menstruais, menopausa, entre outros.


DEPRESSÃO
Joanna de angelis / Divaldo Pereira Franco
Mensagem extraída da obra Receitas de Paz

A depressão tem a sua gênese no espírito, que reencarna com alta dose de culpa, quando renteando no processo da evolução sob fatores negativos que lhe assinalam a marcha e de que não se resolveu por liberar-se em definitivo. Com a consciência culpada, sofrendo os gravames que lhe dilaceram a alegria íntima, imprime nas células os elementos que as desconectam, propiciando, em largo prazo, o desencadeamento dessa psicose que domina uma centena de milhões de criaturas na atualidade. Se desejarmos examinar as causas psicológicas, genéticas e orgânicas, bem estudadas pelas ciências que se encarregam de penetrar o problema, temos que levar em conta o espírito imortal, gerador dos quadros emocionais e físicos de que necessita, para crescer na direção de Deus.
A depressão instala-se, a pouco e pouco, porque as correntes psíquicas desconexas que a desencadeiam, desarticulam, vagarosamente, o equilíbrio mental.
Quando irrompe, exteriorizando-se, dominadora, suas raízes estão fixadas nos painéis da alma rebelde ou receosa de prosseguir nos compromissos redentores abraçados. Face as suas cáusticas manifestações, a terapia de emergência faz-se imprescindível, embora, os métodos acadêmicos vigente, pura e simplesmente, não sejam suficientes para erradicá-la. Permanecendo as ocorrências psicossociais, sócio-econômicas, psico-afetivas, que produzem a ansiedade, certamente se repetirão os distúrbios no comportamento do indivíduo conduzindo a novos estados depressivos.
Abre-te ao amor e combaterás as ocorrências depressivas, movimentando-te em paz na área da afetividade com o pensamento em Deus.
Evita a hora vazia e resguarda-te da sofreguidão pelo excesso de trabalho. Adestra-te, mentalmente, na resignação diante do que te ocorra de desagradável e não possas mudar.
Quando sitiado pela idéia depressiva alarga o campo de raciocínio e combate o pensamento pessimista. Açodado pelas reminiscências perniciosas, de contornos imprecisos, sobrepõe as aspirações da luta e age, vencendo o cansaço.
Quem se habilita na ação bem conduzida e dirige o raciocínio com equilíbrio, não tomba nas redes bem urdidas da depressão. Toda vez que uma idéia prejudicial intentar espraiar-se nas telas do pensamento obnubilando-te a razão, recorre à prece e a polivalência de conceitos, impedindo-lhe a fixação.
Agradecendo a Deus a benção do renascimento na carne, conscientiza-te da sua utilidade e significação superior, combatendo os receios do passado espiritual, os mecanis mos inconscientes de culpa, e produze com alegria. Recebendo ou não tratamento especializado sob a orientação de algum facultativo, aprofunda a terapia espiritual e reage, compreendendo que todos os males que infelicitam o homem procedem do espírito que ele é, no qual se encontram estruturadas as conquistas e as quedas, no largo mecanismo da evolução inevitável.


O que fazer diante dos sintomas de uma depressão?
Primeiro procurar um médico psiquiatra para que não sejam tomados remédios ministrados de forma errada.. Cada paciente necessita de um antidepressivo específico. Se além do remédio, da terapia, dos cuidados com o sono, com a alimentação e das relações, o deprimido fizer um tratamento espiritual com passes magnéticos, água fluidificada e leitura do Evangelho, tanto melhor. O tratamento completo engloba o biológico, psicológico, social e espiritual.

Como prevenir?
Se o fator genético for muito forte, pode-se evitar os fatores psicológicos e espirituais. Psicologicamente, podemos ensinar a criança a lidar com a falta das coisas e das pessoas, estabelecendo limites. Educar é frustrar, porque a vida na Terra possui perda, dor, sofrimento e inevitavelmente passaremos por situações assim. Se formos educados desde cedo a enfrentar as situações, estaremos mais bem equipados. Se a cada sofrimento os pais derem um presente, ou de certa forma, satisfizerem o princípio do prazer o tempo inteiro, estarão criando seres inseguros, rebeldes, que aprenderão a ver na matéria a solução para seus problemas. Ao contrário disso, devem ensinar o princípio do perdão, da verdade, sinceridade, respeito, lealdade, companheirismo e diálogo.

A verdadeira prevenção está no autoconhecimento, no amor a si mesmo e ao próximo, tendo consciência de que os seres humanos são como são, e não da forma como gostaríamos que fossem. Só conseguimos compreender o outro, quando nos compreendemos, aprendendo a aceitar, a lidar com a insatisfação. Não há como prevenir depressão senão passarmos por nós mesmos. Deus está dentro de nós, então agradeça a Ele pela vida. Quando o temporal passa, surge um lindo sol.


A MEDITAÇÃO NO COMBATE À DEPRESSÃO
Apesar das técnicas de meditação serem ensinadas pelos orientais há séculos, estão sendo descobertas e utilizadas recentemente pelos ocidentais. Humberto Pazian, autor do livro Meditação - Um Caminho para a Felicidade, relata em sua obra como os conceitos, técnicas e experiências na prática da meditação podem auxiliar as pessoas a se sentirem mais felizes e realizadas. “Se entendermos que uma perfeita interação entre corpo, mente e espírito, nos fará atingir a verdadeira felicidade e reconhecermos a meditação como um caminho para alcançá-la, só nos faltará um pouco de determinação para criarmos em nossas vidas uma pequena porta para que adentre a Grande Luz”, diz. Existem variados tipos e técnicas para meditarmos, como a meditação zen-budista, hindu etc. A seguir, Pazian esclarece alguns pontos básicos sobre meditação.


A depressão não acontece de um dia para o outro, pois é um processo lento que vai se alojando e desarmonizando nosso ser


O que é meditação e seus principais benefícios?
Existem diversas explicações e sentidos, de acordo com cada escola ou organização de estudos. No meu modo de entender, gosto de dizer que meditar é “estar” com Deus e isso traz paz e harmonia.

Quanto tempo a pessoa necessita para praticar?
Apenas como exemplo, Jesus “estava com Deus” todo o tempo e a sua vida é conhecida de todos nós pela sua grandeza. Como estamos ainda no início de nossa caminhada evolutiva, alguns minutos pela manhã e pela noite, diariamente, são um excelente começo.

Como a meditação pode ajudar no tratamento da depressão?
A depressão não acontece de um dia para o outro, pois é um processo lento que vai se alojando e desarmonizando nosso ser. A prática da meditação vai trazendo novamente a harmonia e a eliminação do estresse que existe nesses casos, além de servir também como método preventivo.

Existem técnicas certas para meditar?
É só começar a buscar a presença Divina em todo o momento possível e sem dúvida a maneira mais apropriada chegará até você.


TRISTEZA
Irmão José / Carlos A. Baccelli
Mensagem extraída do livro Lições da Vida

Não permitamos que a triste nos mergulhe na depressão.
A apatia é abismo profundo do sairemos apenas à custa de muito esforço.
Não nos entreguemos, inermes, aos problemas que nos rodeiam, ensimesmados na tristeza.
Os que se rendem ao desanimo transformam-se em pacientes psiquiátricos, vitimados por estranha anemia de ordem moral.
Quando sentirmos que a tristeza insiste em se demorar conosco, ocupemos as nossas mãos e a nossa mente no serviço do bem. deixemos a poltrona do comodismo e desintoxiquemo-nos no suor da caridade.
Se abatidos espiritualmente no reconhecimento das próprias imperfeições, sintamo-nos incentivados à luta, ao invés de admitirmos a derrota.
Reajamos contra a melancolia, sacudindo o seu jugo de nossos ombros.
Reparemos que em nossos caminhos, de fato, “as bênçãos são muito mais numerosas do que as dores”. Observemos os exemplos de quantos se encontram lutando com limitações maiores que as nossas, sem que lhes escutemos uma reclamação sequer. No livro dos Provérbios, cap. 17, v. 22, está escrito: “O coração alegre é como o bom remédio, mas o espírito abatido seca até os ossos”.


Ensine um exercício simples que as pessoas possam praticar se estiverem se sentindo cansadas e desanimadas.
Se possível, a pessoa deve acordar um pouquinho mais cedo do que o habitual, procurar um cantinho sossegado e sentar-se calmamente. Esquecer de tudo; horários, obrigações, tristezas e alegrias e concentre-se na respiração; inspirando e expirando com tranqüilidade. Observe seus pensamentos, mas não se fixe neles. Após um breve período pense em Deus, procurem senti-lo com todo o amor que haja em seu coração e se deixe levar por essa sensação indescritível.

Quais têm sido os benéficos relatados pelas pessoas que leram o livro e passaram a praticar?
São inúmeros casos que nos chegam de pessoas que mudaram suas vidas em vários sentidos após a prática regular da meditação. No meu caso, por exemplo, posso assegurar que para realizar o trabalho espiritual que entendo como minha tarefa, a meditação tem sido fundamental. Não sei se seria possível sem ela.

Como utilizar a prece aliada à meditação no auxílio ao combate à depressão?
Orar pedindo, acreditando na melhora, meditar com amor e fazer por merecer a cura buscando no Evangelho o caminho a seguir.

Deixe-nos uma mensagem.
Num estado crônico de depressão é sempre importante procurar o auxílio de um profissional, seja médico ou terapeuta habilitado, além da ajuda espiritual. Porque como foi dito, o quadro depressivo não surge de um momento para o outro e a meditação - que é o nosso desejo de “estarmos com Deus” - tem sido um excelente método preventivo, não só contra a depressão, mas contra todos os males que surgem ou atingem nossos espíritos.


Por: Erika Silveira
Fonte: Revista Cristã de Espiritismo (edição 24)

Uma análise sobre como ocorre o processo evolutivo e reencarnatório no reino animal


Na literatura espírita, encontramos com bastante frequência alusões a figuras de animais no plano espiritual. Por exemplo, Hermínio C. Miranda, em Diálogo com as Sombras, descreve o "dirigente das trevas" como sendo visto quase sempre montado em animais. Brota imediatamente em nossa mente a pergunta: Qual a natureza desses animais?

Também André Luiz refere-se, em suas obras, a cães puxando espécies de "trenós" (livro Nosso Lar), aves de monstruosa configuração (Obreiros da Vida Eterna), e assim por diante.

Realmente, identificar a natureza dessas figuras de animais no plano espiritual não é tarefa fácil. Alguns casos são de mais direto entendimento.

Assim, em A Gênese lê-se que "o pensamento do Espírito cria fluidicamente os objetos dos quais tem o hábito de se servir; um avaro manejará o ouro..., um trabalhador o seu arado e seus bois... "

Esses bois, portanto, não são animais propriamente ditos, mas, criações fluídicas, formas-pensamento.

Em outras situações, em que são vistos animais ou sentido a sua presença, existe também a possibilidade de que sejam, mesmo, perispíritos de animais ou, se quisermos assim dizer, animais desencarnados.

Digo animais desencarnados mas, haveria ainda a hipótese de serem também animais encarnados, em "desdobramento" (viagem astral), estando então seu espírito e perispírito desprendidos do corpo físico, por exemplo, durante o sono. Mas, o espírito Alvaro esclareceu-nos, dentre muitas outras questões, que "os animais quando encarnados possuem raros desprendimentos espirituais, isso acontecendo apenas em casos de doenças, fase terminal da existência ou em casos excepcionais com a atuação dos espíritos, pois geralmente permanecem fortemente ligados à matéria". Esta possibilidade de explicação da presença de animais no plano espiritual, de modo particular os animais desencarnados, me parece lógica e portanto, aceitável.


Os animais quando encarnados possuem raros desprendimentos espirituais, isso acontecendo apenas em casos de doenças,
fase terminal da existência ou em casos excepcionais com a atuação dos espíritos, pois geralmente permanecem fortemente ligados à matéria


O nosso prezado confrade Divaldo Pereira Franco contou-me, certa feita, que há alguns anos, esteve em determinada cidade brasileira, para uma conferência e, ao ser recebido na casa que iria hospedá-lo, assustou-se com um cachorro grande, que lhe pulou no peito. A anfitriã percebeu-lhe a reação:

- O que foi, Divaldo?
Foi o cachorro, mas está tudo bem!
Que cachorro, Divaldo, aqui não tem cachorro nenhum!
- Tem sim, esse pastor aí!
- Divaldo, eu tive um cão da raça pastor alemão, mas ele morreu há um ano e meio!
E Divaldo concluiu: - era um cão espiritual!

Segundo o meu entendimento, é possível e até muito provável que esse cão desencarnado ainda estivesse por ali, no ambiente doméstico que o acolheu por muitos anos, tendo sua presença sido detectada pela mediunidade de Divaldo Franco.

Não posso deixar de referir, novamente, a obra magnífica Os Animais tem Alma?, de Ernesto Bozzano, que recomendo para leitura e aprendizado sobre o assunto, porque dos 130 casos descritos, de manifestações metapsíquicas envolvendo animais, muitos estão inseridos nesta categoria de fenômenos, ou seja, em que animais, pela atuação de seu perispírito são vistos e ouvidos ou sentido sua presença.

Herculano Pires também comenta a respeito de "casos impressionantes de materialização de animais, em sessões experimentais", em seu livro Mediunidade. Vida e Comunicação, do que se presume que esses animais se encontravam previamente na dimensão espiritual.

Uma terceira possibilidade que vejo, em relação à presença de figuras animais no plano espiritual é a de perispíritos humanos se encontrarem metamorfoseados em formas animais, sem contudo, perderem a sua condição de espíritos humanos, é claro! E o fenômeno que se conhece com o nome de zoantropia (zôo = animal e antropos, do grego = homem), do qual uma variedade é a licantropia (tycos, do grego = lobo).

Temos o relato de um caso de licantropia no livro Libertação, de André Luiz. O obsessor, desencarnado, encontra a sua "vítima", uma mulher, e conhecendo-lhe a fragilidade sustentada por um complexo de culpa, passa a acusá-la cruelmente, e conclui " - A sentença está lavrada por si mesma! Não passa de uma loba, de uma loba, de uma loba... ". E assim, induzida hipnoticamente, sua própria mente vai comandando a metamorfose de seu perispírito que, aos poucos e gradativamente se modifica, assumindo por fim, a figura de uma loba. Diga-se de passagem, não foi o obsessor que diretamente transformou a sua figura humana, em loba. Foi ela mesma, ao aceitar a sugestão mental que partiu dele.


Após a morte, a alma do animal fica numa espécie
de erraticidade


Afinidade e sintonia são o elementos básicos para o estabelecimento do "pensamento de aceitação ou adesão", conforme explica André Luiz em Mecanismos da Mediunidade.

E por falar em perispírito de animais, em A Evolução Anímica, Gabriel Delanne comenta (resumidamente), que na formação da criatura vivente, a vida não fornece como contingente senão a matéria irritável do protoplasma e nada se lhe encontra que indique o nascimento de um ser ou outro, de vez que a sua composição é sempre uma e única para todos. É o perispírito, que contém o desenho prévio e que conduzirá o novo organismo ao lugar na escala morfológica, segundo o grau de sua evolução.


A REENCARNAÇÃO
Em O Livro dos Espíritos, encontramos a seguinte questão que Kardec coloca aos espíritos: - O que é a alma (entenda-se humana) nos intervalos das encarnações?
R - "Espírito errante, que aspira a um novo destino e o espera".

Nas questões que se seguem, lemos também a expressão "estado errante".

Um dos significados da palavra errante, no dicionário de Caldas Aulete é "nômade, sem domicílio fixo", e de errar, é "vaguear" (errando ao acaso... ). Por sua vez, erraticidade, o mesmo que erratibilidade, quer dizer: "caráter do que é errático. (Espir.) Estado dos espíritos durante os intervalos de suas encarnações".

Bem, chegando aos animais, surge a natural curiosidade de se saber como o seu espírito se comporta na erraticidade, se é que para eles existe erraticidade.

No Livro dos Espíritos lemos "- A alma do animal, sobrevivendo ao corpo, fica num estado errante, como a do homem após a morte?
R - "Fica numa espécie de erraticidade, pois não está unida a um corpo. Mas não é um espírito errante. O espírito errante é um ser que pensa e age por sua livre vontade; o dos animais não tem a mesma faculdade. É a consciência de si mesmo que constitui o atributo principal do espírito. O espírito do animal é classificado após a morte, pelos espíritos incumbidos disso, e utilizado quase imediatamente: não dispõe de tempo para se por em relação com outras criaturas".

Bem, vamos por partes!

Algumas pessoas entendem, a partir desse texto, que os animais, assim que desencarnam, são prontamente reconduzidos à reencarnação.

A expressão "utilizado quase imediatamente" não necessariamente deve ter esse significado. O espírito do animal pode ser prontamente "utilizado "para uma infinidade de situações, dentre elas, inclusive, o reencarne, e então, em todas elas, "não dispõe de tempo para se por em relação com outras criaturas".

Entendo que os animais, sendo conduzidos por espíritos humanos, não dispõem de tempo livre, digamos assim, para se relacionarem com outras criaturas, ou fazer o que quiserem, a seu bel-prazer mas, sim da maneira como decidiram seus orientadores. Aliás, é o que sugere o texto em foco "O Espírito errante é um ser que pensa e age por sua livre vontade; o dos animais não tem a mesma faculdade".


O espírito do animal é classificado após a morte, pelos espíritos incumbidos disso, e utilizado quase imediatamente: não dispõe de tempo para se por em relação com outras criaturas


Em O Livro dos Médiuns, Kardec trata da possibilidade da evocação de animais e pergunta aos espíritos: "- Pode-se evocar o Espírito de um animal?". R: "- O princípio inteligente, que animava um animal, fica em estado latente após a sua morte. Os espíritos encarregados deste trabalho, imediatamente o utilizam para animar outros seres, através das quais continuará o processo de sua elaboração. Assim, no mundo dos espíritos, não há espíritos errantes de animais, mas somente espíritos humanos..." Herculano Pires, tradutor da obra, faz a seguinte chamada em rodapé: Espíritos errantes são os que aguardavam nova encarnação terrena (humana) mesmo que já estejam bastante elevados. São errantes porque estão na erraticidade, não se tendo fixado ainda em plano superior. Os espíritos de animais, mesmo dos animais superiores, não tem essa condição. Ler na Revista Espírita n° 7 de julho/ 1860, as comunicações do espírito Charlet e a crítica de Kardec a respeito.

Apesar da colocação dos espíritos ter sido taxativa, de que não há espíritos errantes de animais, os fatos falam ao contrário. Se assim fosse, isto é, se não existissem animais (desencarnados) no plano espiritual, como explicaríamos tantos relatos? Como explicaríamos a existência dos chamados "espíritos da natureza?".

Ernesto Bozzano, em Os animais têm alma? refere, dentre os 130 casos de fenômenos supranormais com animais, dezenas de episódios com aparição de bichos em lugares assombrados, com materialização e visão com identificação de fantasmas de animais mortos.

Novamente, em O Livro dos Espíritos, lemos "Nos mundos superiores, a reencarnação é quase imediata". Se é assim a reencarnação dos espíritos mais evoluídos, seria até de se esperar que os espíritos de animais, sendo mais primitivos, demorassem mais tempo para voltar à matéria. Entretanto, nada conheço de conclusivo sobre esta questão.


ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL
Muito mais do que supomos, os animais são assistidos em seu desencarne por espíritos zoófilos que os recebem no plano espiritual e cuidam deles.

Notícias pela Folha Espírita (dez. 1992) nos dão conta de que Konrad Lorenz - zoólogo e sociólogo austríaco, nascido em 1903 -, o pai da Etologia (ciência do comportamento animal, que enfoca também aspectos do comportamento humano a ele eventualmente vinculados) continua trabalhando, no plano espiritual, recebendo com carinho e atenção, animais desencarnados.

Também temos informações que nos foram transmitidas, pelo espírito Álvaro, de que há vários tipos de atendimento para os animais desencarnados, dependendo da situação, especialmente para os casos de morte brusca ou violenta, possibilitando melhor recuperação de seu perispírito. Existem ainda instalações e construções adequadas para o atendimento das diferentes necessidades, onde os animais são tratados.

Tendo sido perguntado se os animais têm "anjo da guarda", Álvaro respondeu que sim; alguns espíritos cuidam de grupos de animais e, à medida que eles vão evoluindo, o atendimento vai tendendo à individualização.

Concluindo, podemos dizer que para os animais é discutível se existe o estado errante ou de erraticidade. Eu, particularmente, estou propensa a aceitar que esse estado existe, sim, para os animais, se o entendermos como "o estado dos espíritos durante os intervalos das encarnações".

Se esses intervalos são curtos ou longos, não se sabe exatamente. Penso que existem situações das mais variadas possíveis, face à grandeza da biodiversidade animal, devendo, portanto, acontecer tanto reencarnes imediatos, quanto mais ou menos tardios.

Por outro lado, existe ainda, a consideração feita de que o espírito errante pensa e age por sua livre vontade, além de ter consciência de si mesmo, o que não aconteceria em relação aos animais.

Mas, isso não aconteceria até mesmo com espíritos humanos em determinadas e graves condições de alienação mental, como é o caso dos "ovóides", a exemplo do que refere André Luiz, no livro Libertação.


Há alguns espíritos que cuidam de grupos de animais, sendo como que seus "anjos da guarda" e, à medida que os animais vão evoluindo, o atendimento vai tendendo à individualização


A rigor, nesta abordagem, teríamos que condicionar o conceito de erraticidade, não apenas ao fato do espírito (humano ou animal) estar desencarnado - vivenciando, portanto, o intervalo entre duas encarnações - como também às suas condições mentais do momento.

Quanto ao reencarne dos animais, perguntou-se ao espírito Álvaro se os animais estabelecem laços duradouros entre si." - Sim, existe uma atração entre os animais, tanto naqueles que formam grupos como naqueles que reencarnam domesticados. Procuramos colocar juntos espíritos que já conviveram, o que facilita o aparecimento e a elaboração de sentimentos".

E qual é a finalidade da reencarnação para os animais? Conforme os espíritos da codificação, a finalidade é sempre a da oportunidade de progresso.

Extraído do livro: A Questão Espiritual dos Animais


TODOS OS ANIMAIS MERECEM O CÉU
Este foi o título escolhido pelo autor e veterinário Marcel Benedeti para o livro que relata a reencarnação dos animais, a eutanásia, o sofrimento como forma de evolução desses seres, a existência de colônias que cuidam dos animais no plano espiritual e outras questões importantes.

A obra foi uma das premiadas no Concurso Literário Espírita João Castardelli 2003-2004, promovido pela Fundação Espírita André Luiz. Esse foi o primeiro livro do autor que se especializou em homeopatia para animais e conheceu a doutrina espírita na época em que cursava a faculdade, apesar de sua mediunidade ter se manifestado muito antes desse período. Marcel relata que quando trabalhava em uma livraria e se preparava para prestar vestibular, em um dia de pouco movimento, foi para a parte de baixo da loja estudar e notou que estava sendo observado por um senhor. Resolveu perguntar se o senhor desejava alguma coisa e ele lhe respondeu que só estava achando interessante ele estudar, então explicou que queria passar no vestibular de veterinária e o velhinho disse que não se preocupasse porque passaria. Previu também outros fatos que aconteceriam.

Em seguida se despediu dizendo que se veriam depois. Após alguns instantes comentou com seu colega de trabalho que tinha achado aquele homem esquisito por fazer previsões do futuro. O colega disse que não havia entrado ninguém na livraria, foi então que se deu conta de que se tratava de um espírito. Este mais tarde é que lhe ditaria o livro.

O tema da obra fez tanto sucesso que se transformou também em programa de rádio. Nossos irmãos animais vai ao ar toda quarta-feira, às 13h na Rede Boa Nova. Com apresentação de Ana Gaspar, Maria Tereza Soberanski e Marnel Benedeti.

Como o livro foi escrito?
Escrevi o livro em menos de um mês, durante os intervalos das consultas, mas o espírito que ditou não quis se identificar. As cenas foram surgindo em uma tela mental e ao mesmo tempo um espírito narrava os episódios. Outras vezes, não havia imagem, apenas a narrativa; nesses momentos se tornava mais difícil. Apesar de achar o livro maravilhoso, não acreditava que alguma editora pudesse se interessar pelo assunto. Mas certo dia estava ouvindo a rádio Boa Nova quando anunciaram o concurso literário espírita. Resolvi participar e acabei ganhando o concurso 2003-2004 e editando o livro pela editora Mundo Maior.

O que o livro acrescentar para os veterinários e pessoas que possuem animais?
Se as pessoas não tiverem a visão espiritual em relação aos animais, que eles tem espírito e sentimentos vão continuar tratando esses seres como objetos, como era há pouco tempo atrás. Essa onda de conscientização é recente. Entramos na questão também de comer carne; cada um tem que perceber o que está fazendo. Eu mesmo comia carne e parei para pensar porque comia, se meu corpo recusava, me fazia mal... Mas quando comecei a lembrar as descrições feitas no livro a respeito do matadouro, passei a sentir repugnância da carne.

Sendo veterinário e espírita, como analisa a questão da eutanásia?
O ser humano tem o carma, o animal não. O animal tem consciência, mas muito mais restrita, em relação ao ser humano. Ele segue muito mais os seus instintos. Então, como não tem carma, a eutanásia deve ser o último recurso utilizado; o veterinário deve fazer todo o possível para salvá-lo. Se o animal estiver sofrendo muito e não existir outra maneira, o plano espiritual não condena, porque é um aprendizado tanto para o animal quanto para o dono que precisa tomar a decisão.

Os animais reencarnam?
Há um capítulo no livro que explica como ocorre a reencarnação dos animais. Este descreve que cada espécie de animal leva um tempo para reencarnar, mas por possuírem o livre-arbítrio ainda muito restrito, uma comissão avalia as fichas dos animais e estabelece o ambiente que deverão nascer e a espécie.

Como o conhecimento espiritual pode ajudar o veterinário no trato com os animais?
O veterinário, em geral, por natureza, mesmo não sabendo já é espiritualizado, pelo fato de gostar de animais e querer salvar a vida deles. Quando o veterinário adquire consciência de que o animal não é um objeto e sim um ser espiritual, que possui inteligência e sentimento, muda o seu ponto de visa, passa a enxergar os fatos de uma forma mais ampla. Com certeza se mais veterinários tivessem um conhecimento espiritual, o tratamento em relação aos animais seria melhor.

Como é aplicada a homeopatia para animais?
No Brasil, a homeopatia ainda é pouco aplicada nos animais porque muitos acham que não funciona. Só utilizo a homeopatia quando o dono do animal permite e, em casos mais graves, a homeopatia entra como terapia complementar, porque demora um pouco mais para trazer resultado e alguns casos são urgentes. O uso da homeopatia é igual tanto para pessoas quanto para animais. A única diferença é que o animal não fala, então o dono precisa ser um bom observador para relatar a personalidade do animal para o veterinário, e muitas vezes, não possui as informações necessárias para um diagnóstico mais preciso. Tive o caso, de um gato com câncer e que em decorrência da doença estava com o rosto deformado. Como tratamento ele melhorou 70%. Só não foi melhor porque esse gato saia e demorava a voltar e com isso interrompia o tratamento. Cuidei também de um cachorro com problema de comportamento muito; agressivo. O animal, depois de 10 dias, parecia outro, muito mais calmo. Utilizo também florais para animais em casos emocionais. Se nós equilibramos emocional, o organismo ganha condições combater as bactérias.

E os próximos livros?
Já tenho na editora outro livro em análise que tem o título: Todos os animais são nossos irmãos. E já estou escrevendo o terceiro. Pelas informações que recebi do plano espiritual, serão seis livros.


Por: Irvênia Prada
Fonte: Revista Cristã de Espiritismo (edição 29)

Nascer, viver, morrer, renascer ainda e progredir continuamente, esta é a lei.