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NO VELÓRIO

“A morte não mais do que o regresso à verdadeira vida”
(Scipião)

Amigo.
Se cultivas um princípio religioso, sabes que a morte não é o fim. O Espírito imortal, com os potenciais de inteligência e sentimento que lhe definem a individualidade, simplesmente deixa o cárcere de carne, qual borboleta livre do casulo, rumo à amplidão.

Raros, entretanto, estão preparados para a grandiosa jornada.

Raros exercitam asas de virtude e desprendimento.

Natural, portanto, que o “morto” experimente dificuldades no desligamento do corpo inerte e na adaptação à realidade espiritual.

Isso ocorre principalmente quando não conta com a cooperação daqueles que permanecem no velório, ao arrastar das horas que precedem o sepultamento.

O burburinho das conversas vazias e dos comentários menos edificantes, bem como os desvarios da inconformação e o desequilíbrio da emoção, repercutem em sua consciência, impondo-lhe penosas impressões.

Se é alguém muito querido ao teu coração, considera que ele precisa de tua coragem e de tua confiança em Deus. Se não aceitas a separação, questionando os desígnios divinos, teu desespero o atinge, inclemente, qual devastador vendaval de angústias.

Se é o amigo que admiras, por quem nutres especial consideração, rende-lhe a homenagem do silêncio, respeitando a solene transição que lhe define novos rumos.

Se a tua presença inspira-se em deveres de solidariedade, oferece-lhe, na intimidade do coração, a caridade da prece singela e espontânea, sustentando-lhe o ânimo.

Lembra-te de que um dia também estarás de pés juntos, estendido na urna mortuária. Ainda preso às impressões da vida física, desejarás, ardentemente, que te respeitem a memória e não conturbem teu desligamento, amparando-te com os valores da serenidade e da oração, a fim de que atravesses com segurança os umbrais da Vida Espiritual.

Do Livro "Quem Tem Medo da Morte"

Por: Richard Simonetti

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