Preocupada com a possibilidade de ser enterrada viva, perguntava-me a jovem:
– Se acordar na sepultura, o que acontecerá comigo?
– Vai morrer, minha filha.
– Meu Deus! Por quê?
– Encerrada no caixão, dentro da sepultura, em breves minutos faltará oxigênio. Não se preocupe. Você irá desta para melhor sem necessidade de atestado de óbito, velório, rezas… Tudo providenciado por antecipação.


***

Se você, leitor amigo, apavora-se ante essa perspectiva, é simples resolver.
Peça que coloquem um telefone celular no caixão.

Se acordar, ligue para casa.
Apenas tenha cuidado ao comunicar-se com o familiar.
– Alô.
– Socorro!
– Quem fala?
– Sou eu!
– Eu, quem?
– Seu marido.
– Ooooh!…
– Chamem a ambulância! Mamãe sofreu uma síncope!

A tafofobia, o medo de ser enterrado vivo, costuma ser relacionada com narrativas de horror, envolvendo cadáveres exumados, que se apresentam arranhados ou virados no caixão, sugerindo que acordaram na sepultura.

Talvez, no passado, até acontecesse, principalmente por ocasião de batalhas ou epidemias. Havia tanta gente para enterrar, que nem sempre os coveiros improvisados percebiam que o suposto defunto estava vivo.

Em circunstâncias normais não há a mínima possibilidade. Nenhum morto acorda na sepultura. Há, sim, o transe letárgico, que imita a morte. O coração assume ritmo indolente, perto de dezoito batimentos por minuto; o fluxo sanguíneo torna-se lento, o indivíduo fica com aparência de morto, podendo até entrar em rigidez. Mas continua vivo, organismo funcionando, como numa hibernação.

Qualquer médico constatará isso, ao examiná-lo. O que ocorre é que pessoas muito apegadas à vida física têm dificuldade para se desligar. Permanecem no cemitério por vários dias. Pior – acompanham a decomposição dos despojos carnais e o banquete dos vermes. É um fenômeno assustador!

Produz, não raro, traumas violentos. Após o desligamento, o desencarnado sofre alucinações envolvendo aquela situação. Tenho visto, em reuniões mediúnicas, entidades apavoradas com um cadáver em decomposição que as persegue.

Não raro, estão tão impregnadas daquelas impressões, que o médium sente forte cheiro de carne em decomposição. Um horror!

Muitos vivenciaram experiências dessa natureza, em existências passadas. Nem todos superaram o trauma. Daí o medo.

O problema é o despreparo para a grande transição. Prendemo-nos demasiadamente à vida física, envolvemo-nos com negócios, ambições, vícios e paixões de forma intensa, sem considerar que um dia teremos de deixar isso tudo. Como se sentiria, leitor amigo, se de repente você fosse colocado nu em um avião e transportado para remota região da África, aqui deixando seus pertences, seus familiares, sua profissão, seu emprego, suas roupas, sua casa?

Que transtorno! É o que acontece com pessoas alheias à realidade espiritual, quando são seqüestradas pela morte.

Bem, há algumas providências que podemos tomar, evitando desagradáveis surpresas no Além:

• Preparar a bagagem permitida:
Virtudes e conhecimentos.

• Colher informações:
Estudar a Doutrina Espírita.

• Provisionar moedas do Além:
Praticar boas ações.

• Cuidar da saúde da Alma:
Superar vícios e paixões.

• Conquistar amigos do outro lado:
Socorrer seus familiares deste lado.

Assim, não haverá o que temer.
A partida será tranqüila, sem traumas, com amparo espiritual, acolhimento festivo, sentimento de inefável felicidade, sustentado pela consciência do dever cumprido.

Do Livro "Abaixo a Depressão"

Por: Richard Simonetti
"Nascer, viver, morrer, renascer ainda e progredir continuamente, esta é a lei." (Allan Kardec)