Muitas são as entidades que se manifestam durante as reuniões mediúnicas ainda presas ao seu vício e ao desencarne prematuro, sejam os mesmos provocados pelo uso de drogas ou de vícios abusivos de bebidas alcoólicas, fumo, sexo, gula etc.

Por: Henri B. F. Barreto

Muitos espíritos continuam perseguindo e vampirizando seres encarnados, viciosos e invigilantes, através da empatia entre eles. O diálogo com estes espíritos é difícil porque eles sempre têm suas justificativas para odiarem e perseguirem viciados ou aqueles que foram seus desafetos no passado e estão de conformidade com a lei que diz: “semelhante atrai semelhante”. O tratamento espiritual do viciado está baseado no arrependimento e mudança de comportamento, tanto do espírito desencarnado como do encarnado. Não adianta um espírito obsessor se afastar do obsediado se não houver modificação de seu comportamento. Será sempre substituído por outro e assim sucessivamente...

Lembremos que todo vício deve ser acompanhado de um tratamento psicológico ou psiquiátrico e de uma evangelhoterapia, para que o reequilíbrio e a auto-estima sejam alcançados. O diagnóstico, o tratamento médico ou alternativo (terapia ocupacional, acupuntura, homeopatia etc.) e o espiritual (diálogo, oração e o passe magnético/espiritual), devem caminhar juntos, um dando apoio ao outro.

Observamos também que o vício obsessivo e suas consequências físicas e morais, encontram na mediunidade uma porta aberta para a influência de entidades viciosas, e muitos irmãos chegam a casa espírita pensando que estão loucos, esquizofrênicos ou epiléticos; outros são espíritas que perderam o controle de sua mediunidade, estando obsediados ou fascinados, necessitando de um amparo especial para o seu reequilíbrio.


O tratamento espiritual do viciado está baseado no arrependimento e mudança de comportamento, tanto do espírito desencarnado como do encarnado


Conforme publicação da revista Época, um jovem de classe média alta foi preso como traficante pela policia federal num condomínio de luxo do Rio. Seu pai, revoltado com a prisão, declarou para a imprensa que seu filho era um bom menino e consumidor de maconha com permissão médica, porque sofre de dislexia e fobia; no entanto ele foi visto num ponto do morro, não muito distante de sua casa, portando um fuzil e traficando cocaína. Este é um bom exemplo de um jovem que extrapolou o vício da bebida e das drogas toleradas, como a maconha, para o uso e tráfico pesado de drogas como o crack e cocaína. Este jovem é fruto de uma sociedade consumidora, protegido por um pai alienado e conivente com o vício e a violência do filho. Muitos jovens são frequentadores de boates e baladas da noite, cujos ambientes favorecem a presença de entidades viciosas, além de serem presas fáceis das drogas e vícios morais, podendo, assim, serem facilmente induzidos ao alcoolismo, à agressividade, à depressão, à morte prematura, através do suicídio, ao coma alcoólico, à overdose e ao crime para sustentarem seu vício.

O tratamento do viciado crônico deve ser conduzido, através de uma desintoxicação química e de um tratamento espiritual, às oficinas com diálogos fraternos para ambos os espíritos, encarnados e desencarnados. Muitos jovens procuram o Centro Espírita desesperados e com uma vontade incontrolável de se suicidar, precisando de amparo e ajuda, porém, muitas vezes, falhamos nesta tarefa. É necessário termos grupos preparados para amparar, tratar e encaminhar estes irmãos necessitados. Segundo um trabalho sobre a “Intervenção religiosa na recuperação de dependentes de drogas”, às quais foram conduzidas 85 entrevistas com ex-usuários de drogas (evangélicos, católicos e espíritas), o que os manteve na abstinência de drogas foi mais do que a fé religiosa; foi o acolhimento e o apoio do grupo à reestruturação de suas vidas.

Outro interessante trabalho científico sobre “O adolescente e o uso de drogas”, informa que a adolescência é um momento especial da vida em que o jovem não aceita orientações de adultos e, naturalmente, se afasta da família aproximando-se de seu grupo de iguais. Se este grupo estiver usando drogas ele é pressionado para também usar. Cerca de 80% dos jovens relacionados ao uso de drogas foram tratados em ambulatório, aplicando-se modelos variados, podendo ser feito com internação parcial (hospital-dia) ou integral, utilizando-se a psicanálise, terapia cognitivo-comportamental e outras técnicas associadas.

O trabalho é fundamentado no diagnóstico, classificação e tratamento, conforme a organização mundial de saúde (WHO, CID-10), referente ao capítulo sobre transtornos mentais e comportamento, decorrente do uso de substâncias psicoativas (F10 a 19). A pesquisa demonstrou que, qualquer que seja o modelo teórico, o tratamento para a clientela deve ser reaplicado, pois os resultados não são muito animadores. A conclusão deste trabalho demonstrou que os adolescentes de risco apresentaram algumas características que podem auxiliar no trabalho preventivo para amenizar este problema, tais como: acompanhar as alterações de comportamento, adequar a legislação, melhorar a atitude da família junto ao viciado e ao uso precoce de drogas.


O tabaco mata 5 milhões, o álcool 2,5 milhões, e as drogas ilícitas matam 200 mil pessoas por ano


Concluindo, reafirmamos a necessidade do apoio a estes jovens, esclarecendo, recomendando o tratamento médico associado ao espiritual, como também sua reforma comportamental. Entretanto, enfatizamos que é indispensável a ajuda da família e de grupos de apoio, religiosos ou leigos, como os AA (alcoólicos anônimos), NA (narcóticos anônimos) e o GAS (grupo de ajuda a sobriedade). Gostaríamos também de alertar que o vício iniciado pelas drogas, ditas licitas/toleradas, como o álcool, fumo, solventes é o caminho para as ilícitas como a maconha e as mais pesadas, como cocaína, crack, heroína, LSD e Êcstase. Muitos atingiram o fundo do poço através do uso de drogas mais baratas como crack, cola de sapateiro e álcool puro, muito comum entre crianças e mendigos de rua, e que provocam danos irreparáveis no organismo (debilidade, alucinações, taquicardia, cirrose hepática etc.). O vício de bebidas alcoólicas, fumo, maconha (baseado) e o químico é muito comum entre adolescentes desestruturados, depressivos e psicopatas; é uma porta aberta para graves consequências morais e comprometimento cármico, assim como à violência, ao abuso sexual, à prostituição e à pedofilia.

O relatório Mundial de drogas da UNODC de 2008 mostra que aproximadamente 5% da população mundial é viciada ou usou drogas ilícitas nos últimos 12 meses, ou seja, 26 milhões de pessoas (entre 12 e 64 anos), destes, 5 milhões (0,6%) são dependentes químicos. O tabaco mata 5 milhões, o álcool 2,5 milhões, e as drogas ilícitas matam 200 mil pessoas por ano.

Amigos e companheiros de jornada espírita: vamos combater a legalização de drogas e vícios, e lutar contra a impunidade de traficantes e viciados inconsequentes (criminosos do trânsito, agressores etc.). Vamos ajudar, amparando e esclarecendo os viciados arrependidos, diminuindo, assim, o sofrimento de nossos irmãos encarnados e desencarnados, através de uma luta incessante contra as aberrações viciosas e dependência química, tão comum entre jovens ainda indecisos, rebeldes e vacilantes na fé.


Fonte: Revista Internacional de Espiritismo (maio 2009)
Nascer, viver, morrer, renascer ainda e progredir continuamente, esta é a lei.