A doutrina materialista é, pois, a sanção do egoísmo, origem de todos os vícios; a negação da caridade – origem de todas as virtudes e base da ordem social – e seria ainda, a justificação do suicídio.

Por: Juvanir Borges de Souza

A eternidade da vida do Espírito foi compreendida desde tempos imemoriais. As religiões adotaram-na em seus ensinos e pressupostos, o mesmo ocorrendo com diversas filosofias, variando apenas as conseqüências e formas de compreensão dessa verdade.

Entendimento oposto, por não admitir a existência do espírito, – um dos elementos do Universo – professa o materialismo multifário, o nadismo, que só admite a existência da matéria. A influência desses dois princípios antagônicos reveste-se de grande importância, não somente sobre a vida individual das pessoas, mas também nas organizações sociais de grupos, povos e nações, pelos efeitos que resultam de um e de outro entendimento.

A conseqüência imediata para os que só admitem a existência da matéria é a completa extinção da vida, com a morte do corpo físico: nada mais existiria após esse fato, senão os despojos materiais, de duração efêmera. Esse posicionamento radical, resultante do materialismo, produz conseqüências profundamente prejudiciais à evolução e ao progresso dos seres, quer como individualidades, quer como coletividades.

Essa conclusão resulta claramente da resposta que os Espíritos reveladores deram a Allan Kardec, na questão 799 de O Livro dos Espíritos:

De que maneira pode o Espiritismo contribuir para o progresso?
Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, ele faz que os homens compreendam onde se encontram seus verdadeiros interesses. Deixando a vida futura de estar velada pela dúvida, o homem perceberá melhor que, por meio do presente, lhe é dado preparar o seu futuro. Abolindo os prejuízos de seitas, castas e cores, ensina aos homens a grande solidariedade que os há de unir como irmãos.

A sabedoria dos Espíritos Superiores mostra, nessa resposta simples, mas profunda, os prejuízos que uma idéia pode trazer às sociedades humanas e aos indivíduos que delas fazem parte, influenciando-os negativamente contra a realidade dos fatos.


O materialismo produz conseqüências profundamente prejudiciais à evolução e ao progresso dos seres, quer como individualidades, quer como coletividades


Precisamos entender que a destruição do materialismo não necessita da violência para se efetivar. Destruir o materialismo, no ensino dos Instrutores espirituais, é uma das tarefas da Doutrina Espírita, comprovando a realidade do espírito, como um dos elementos do Universo, ao lado da matéria. Tem a significação de demonstrar a verdade. Por que recomendam os Espíritos a destruição do materialismo? Há muitas razões ponderáveis para essa recomendação. A primeira delas é a de que, aceitando o materialismo, o Espírito demonstra uma profunda ignorância a respeito de si mesmo, usando sua vontade, seu livre-arbítrio e sua inteligência como se fossem produtos materiais, produzidos por órgãos corporais.

Negar a existência do Espírito é limitar a própria vida, que se apresenta apenas como uma existência efêmera, sem conseqüências, semelhante a um objeto material qualquer, quando, na realidade, ela é eterna e se desdobra infinitamente. Negando-se a si próprio, o materialista não admite a existência de Deus, o Criador do Universo e de todos os seres nele existentes, como ensinam as religiões e as filosofias espiritualistas, mas não tem explicações plausíveis para a criação da própria matéria, mergulhado que se acha na descrença absoluta do niilismo.

Não admitindo senão a existência da matéria, o materialista não cogita da vida futura, a vida do Espírito imortal que, para ele, é uma utopia, apesar das inúmeras provas de sua existência e manifestações em todas as épocas. Todas essas incongruências tornam difícil a compreensão da presença do materialismo nas mais remotas épocas da história humana. Existe a vida após a morte do corpo físico?

Independentemente das provas incontestáveis dos próprios Espíritos, em todos os tempos, relatadas nos livros e escrituras religiosas, os fatos estudados e tornados evidentes pela Doutrina dos Espíritos são demonstrações cercadas de todo o rigor científico da existência e das manifestações contínuas dos seres espirituais de diferentes condições evolutivas.

As conclusões do Codificador da Doutrina, que serviram de base para o intercâmbio entre os dois mundos, com a prática dos fenômenos espíritas, não são opiniões pessoais, mas a comprovação científica de fatos e realidades que se tornam inegáveis para qualquer observador honesto e isento. De outro lado, havendo no mundo cerca de 10.000 religiões, quase todas crêem e ensinam a continuação da vida após a morte do corpo. Em cada grupo de dez pessoas, nove acreditam na existência de um céu, ou de um inferno, ou de um mundo espiritual onde a vida continua sob formas diferentes, contrariando os desvios concepcionais tão prejudiciais, os atrasos e os males decorrentes da ignorância imposta pelo materialismo.

O que visamos, como todos aqueles que são alertados pelos conhecimentos das verdades eternas, deixadas aos homens pelo Cristo, por seus emissários de todos os tempos e, agora, pelo Consolador por Ele prometido e enviado, é não nos deixarmos enganar por teorias inconsistentes e enganosas para a solução dos grandes problemas do homem e do mundo.


O materialista não cogita da vida futura, a vida do Espírito imortal que, para ele, é uma utopia, apesar das inúmeras provas de sua existência e manifestações em todas as épocas


Não podemos partir de premissas falsas, como a da inexistência de Deus, e atribuir ao acaso a criação de tudo o que existe no Universo. A inteligência e a sensibilidade dos Espíritos mais simples repelem normalmente as teorias ocas do materialismo incongruente. Também não podemos negar a realidade do homem, como Espírito imortal, dotado de inteligência e vontade, criado por um Ser superior, e atribuir sua criação e existência a simples e inexplicáveis combinações da matéria, vivendo transitoriamente neste mundo material.

As experiências milenares já demonstraram que a verdade, firmada na realidade e nos fatos, não acolhe a ilusão materialista, que repele tudo o que não é perceptível pelos órgãos físicos do homem.

Por isso o Cristo, dirigindo-se a toda a Humanidade, sentenciou: “Conhecereis a verdade e ela vos libertará”. Todos necessitamos da verdade, cedo ou tardiamente, porque ela é a luz de que necessita o Espírito imortal para sua realização como ser destinado à felicidade. Fora da verdade, o ser eterno ilude-se com fantasias criadas por seu livre-arbítrio, atrasa-se em sua trajetória e perde o verdadeiro sentido da vida, da qual é parte essencial. Nosso mundo está longe da perfeição.

A solução de seus problemas, inclusive os de suas organizações sociais, depende da evolução individual de seus habitantes, através da educação dos sentimentos, do amor a Deus e ao próximo, como sintetizou Jesus, e da ampliação dos conhecimentos que os próprios homens podem desenvolver e pôr em prática.

E isso não se faz com o desconhecimento das leis naturais, nem com a violência, nem com a aceitação e aplicação de princípios falsos, que só produzem sofrimentos e ilusões. A continuação da vida, após a morte do corpo, é outra forma de existência conhecida e aceita por bilhões de seres que vivem ou já viveram antes na Terra. Essas experiências, repetidas ao longo de milênios, não podem constituir uma ilusão, como pretendem os materialistas, contrariando todas as provas e evidências que desmentem seus enganos. O materialismo gerou teorias filosóficas de graves conseqüências para diferentes povos. Vamos citar uma delas, que produziu guerras, incompatibilidades, lutas de classes sociais e vários efeitos negativos, por querer impor às sociedades humanas condições que contrastam com a natureza real do homem.

Referimo-nos ao materialismo histórico e dialético de Karl Marx, desenvolvido em seu célebre Manifesto Comunista, publicado em 1848, e em outras obras que se espalham pelo mundo, favorecidas por determinadas conclusões fundamentadas em falsas premissas. As revoluções comunistas atingiram diversos países, utilizando a violência e a luta de classes. Na Rússia, a Revolução de 1917 implantou o regime comunista, que só terminou nos fins do século XX. Em outras nações, as tentativas revolucionárias, embora fracassadas, deixaram rastros de violência e sacrifícios.


O materialismo gerou teorias filosóficas de graves conseqüências para diferentes povos


Na atualidade, a China, o país mais populoso do mundo, a Coréia do Norte e a ilha de Cuba adotam o sistema comunista de governo. Ao citar esses fatos, nosso objetivo não é o de defender a organização social predominante no mundo, profundamente injusta e que reflete o atraso do planeta em que habitamos. Mas, de outro lado, a busca das soluções justas e corretas não pode partir de outros erros conceptuais, como o materialismo, que agrava os já existentes, pela adição de idéias errôneas, levando ao sacrifício milhões de vidas, pela violência, e deixando de considerar o ser imortal que é o homem, para torná-lo apenas um ser “econômico”, subvertendo sua verdadeira natureza.

O Espiritismo, como o Consolador, é o grande opositor do materialismo, com suas múltiplas faces e conseqüências prejudiciais. Provada a existência da alma, do Espírito imortal que continua vivendo após a morte do corpo, fica demonstrado que o elemento espiritual independe da matéria, embora possa estar ligado aos elementos materiais, sem perder o poder de manifestar-se através do pensamento, da vontade, da inteligência e de tudo o que constitui suas próprias características.

O conhecimento espírita demonstra, assim, que o homem é constituído de dois elementos que se conjugam, que se complementam, mas são inconfundíveis: o espírito e a matéria, a alma e o corpo, independentes entre si, embora cooperem, enquanto unidos, para atingirem a finalidade da vida do ser em um mundo material.


Fonte: Revista Reformador (outubro 2007)
Nascer, viver, morrer, renascer ainda e progredir continuamente, esta é a lei.